Caminhões estão sem local para despejar entulho

Caminhões estão sem local para despejar entulho

Caçambas cheias de entulho e caminhões parados à espera de uma autorização para despejar os restos de construções civis são os problemas enfrentados atualmente pelas quatro empresas particulares de coleta em Araxá. No início do ano, a prefeitura proibiu as empresas de jogar o material recolhido em uma área no final do bairro Pedra Azul, utilizada como depósito de entulhos até 2008.

O prefeito Jeová Moreira da Costa definiu uma nova área, localizada próxima à BR-262, para a continuidade do serviço, mas, na última semana, o proprietário do terreno também proibiu a entrada dos caminhões, alegando que havia lixo misturado ao entulho.

O funcionário da empresa Entulho Ajato, Marco Antonio Gonçalves, diz que até o final de 2008 o serviço vinha sendo realizado normalmente.

“As quatro empresas mantinham um trator na área destinada ao despejo do entulho no bairro Pedra Azul. A máquina enterrava o material e fazia a limpeza do terreno. Na gestão do prefeito Jeová, nós fomos proibidos de depositar o material lá e arrumaram uma fazenda próxima ao Posto Miguelinho. Agora, o proprietário do local também proibiu a entrada dos nossos caminhões alegando que tinha lixo misturado com o entulho. Só que a gente não faz isso, não misturamos lixo com entulho.”

De acordo com ele, os pátios das empresas estão lotados de caçambas cheias de entulho. “Desde sábado (passado), nós estamos proibidos de despejar o material. Não temos uma posição de ninguém, por isto, estamos fazendo essa manifestação aqui no bairro Filomena. A prefeitura oferece o serviço gratuitamente, mas ela sozinha não dá conta da demanda. Agora, nós não sabemos o que o prefeito quer fazer, se ele vai pegar o serviço todo para ele ou vai deixar a gente trabalhar”, afirma Marco Antônio.

O funcionário da empresa Entulho Fácil, Orlando Mota Dias, afirma que já houve duas reuniões com a prefeitura para tentar resolver o problema. “Nós ficamos responsáveis de recolher e transportar terra e entulho de obras e também pelo consumo do entulho, ou seja, ter uma máquina e um local para enterrar o material. Eles disseram que a administração municipal seria parceira das empresas, mas teríamos que adquirir um terreno e um trator para fazer o serviço de limpeza”, afirma.

Nós não temos condições de fazer isso, porque a área que foi disponível pra gente vai deixar o serviço muito mais caro. Hoje, uma viagem custa R$ 80 ao cliente e se levássemos para o local que foi proposto o valor do serviço seria de até R$ 200, podendo aumentar ainda mais”, acrescenta Orlando.

O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano João Bosco Borges, explica que a área onde as empresas depositavam o entulho é de propriedade da Cooperativa Integral de Desenvolvimento do Planalto de Araxá (Coind).

“Não foi o prefeito Jeová que fez a proibição, foi a Coind que não permitiu mais o depósito de entulho. Nós providenciamos um novo local próximo ao Posto Miguelinho, mas houve um desencontro de informações entre as empresas e o proprietário do local quanto aos materiais que poderiam ser depositados na área”, diz o secretário.

“O problema não é o local para o depósito de entulho e sim o que eles estavam despejando. A questão já está sendo solucionada e teremos uma reunião para definir o que pode e o que não pode ser despejado, acredito que até o final da semana tudo estará resolvido.”, afirma João Bosco.

Problema sério

O entulho da construção civil tornou-se um sério problema para as cidades brasileiras. De acordo com a resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de 2004, as prefeituras estão proibidas de receber os resíduos de construção e demolição no aterro sanitário. Cada município deve ter um plano integrado de gerenciamento de resíduos da construção civil.

A Prefeitura de Araxá também oferece o serviço de coleta de entulho e deposita o material em uma área no bairro Abolição. Segundo os proprietários das empresas, além do entulho, os caminhões da prefeitura levam lixo e até cachorros mortos para o local. Eles acrescentam que a administração municipal não libera a entrada de caminhões particulares e vem dificultando cada vez mais o trabalho de cada um.

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