Casa do Pequeno Jardineiro é invadida e fica novamente sem água

Casa do Pequeno Jardineiro é invadida e fica novamente sem água

O programa social Casa do Pequeno Jardineiro (CPJ) teve novamente o fornecimento de água interrompido, na madrugada deste domingo (19). Supostos vândalos teriam invadido a área da Fundação Maçônica de Araxá e cortado as mangueiras que retiram a água do poço da fundação e leva até a área do Instituto Estadual de Florestas (IEF), onde atualmente está instalado o projeto desenvolvido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano.

Para que não houvesse desperdício de água, os autores se preocuparam em colocar tampões nas mangueiras e fizeram uma nova ligação, mas, desta vez, levando o abastecimento de água até a área da fundação.

Na manhã desta segunda-feira (20), funcionários do programa chegaram ao local e perceberam que as mangueiras haviam sido cortadas e as atividades de jardinagem não poderiam ser realizadas pela falta de água.

Revoltada com a situação, a coordenadora do projeto, Márcia Alves Balieiro, diz que ninguém pode ser culpado por essa ação contra o programa. “Não temos provas de que cometeu isso, mas o fato é que estamos novamente sem água, justamente na semana em que estamos recebendo alunos de escolas rurais e bastantes atividades em comemoração à Semana Florestal.”

De acordo com ela, as plantas e mudas não vão sobreviver se o fornecimento de água não for reativado. “Infelizmente vão morrer. Já estava difícil porque há três meses que estamos aguando com baldes, e, agora, sem água não vai ter jeito se não forem para doação. Só de plantas nativas do Cerrado temos mais de 5 mil e de jardinagem devemos ter cerca de 50 mil mudas”, diz.

“O sentimento nosso é de impotência, é assim que me sinto porque vai além do nosso esforço. Aqui, a gente apreende que tudo depende do nosso esforço, mas não podemos fazer nada diante desta situação. Não tem como precisar quem fez isso, pois não temos nem mesmo a chave do portão. O que entristece é que foi justamente na semana em que o meio ambiente pede o foco para ele. Mesmo fora da Semana Florestal promovida pela prefeitura, nós corremos atrás de patrocinadores e conseguimos fazer a nossa comemoração”, ressalta Márcia.

A vereadora Edna Castro, fundadora do programa, diz que não dá pra entender a situação. “Aparecem, as coisas estragam e ninguém viu. O cano está arrebentado, a torneira da caixa d´água entortada e ninguém sabe quem fez. Alguém está querendo boicotar a Casa do Pequeno Jardineiro. Está faltando respeito com os adolescentes, com esse projeto tão sério que desenvolvemos”, diz.

“Por que estão criando esse tipo de constrangimento? Por que criar uma situação tão triste e prejudicar os adolescentes que aqui estão? Meu sentimento é de revolta, alguém tem que fazer alguma coisa para mudar essa situação de perseguição. Furam um buraco para cortar a mangueira com picareta, um absurdo. A situação agora é caso de Justiça”, acrescenta Edna.

Em agosto passado, a fundação interrompeu o fornecimento de água e energia da área pública utilizada pelos 60 adolescentes carentes que participam da CPJ. O imóvel possuía uma dívida de R$ 8 mil com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A maçonaria, que é a administradora da área através de um decreto municipal que cede gratuitamente por 20 anos a área pública (Parque Municipal Teófilo Barbosa) à fundação, solicitou a desocupação imediata do local.

Para evitar um conflito maior entre o programa e a fundação, o prefeito Jeová Moreira da Costa determinou que a CPJ fosse transferido temporariamente para uma área menor, pertencente ao IEF até que uma nova estrutura seja construída em um terreno ao lado do futuro Centro Administrativo, na avenida João Paulo II, que também pertence ao instituto.

Fundação diz que vai reativar o abastecimento

O presidente da Fundação Maçônica de Araxá, Júlio César da Silva, afirma que a maçonaria não tem qualquer ligação com o acontecimento.

“Não partiu da fundação. A água vem de uma mina nossa, mas não temos conhecimento do ocorrido aqui hoje. Acreditamos que não foi uma ação de vândalos porque não foi rápido, é de alguém que sabia o que estava fazendo. Se houve participação de algum membro da fundação nós vamos tomar atitudes, mas acreditamos que não, pois tudo que acontece na maçonaria nós decidimos juntos”, esclarece.

Segundo ele, a fundação vai restabelecer o fornecimento de água para a Casa do Pequeno Jardineiro. “Nunca precisamos e nem queremos prejudicar ninguém. Hoje, existe uma passividade e não queríamos uma situação assim. Não sabemos qual o interesse que alguém para criar um conflito entre a fundação e programa, mas ainda hoje vamos voltar com o fornecimento de água aqui no Pequeno Jardineiro”, afirma Júlio César.

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