Dias das Mães especial em Araxá com o Revezamento da Tocha Olímpica

Dias das Mães especial em Araxá com o Revezamento da Tocha Olímpica

Domingo costuma ser dia de descanso, mas a população de Araxá quebrou a rotina para abrir alas à Tocha Olímpica. A chama acesa em Olímpia, na Grécia, percorreu, neste domingo (8), 4,5 km pelas principais vias públicas da cidade, em pouco mais de duas horas. O forte calor não atrapalhou o dia festivo, embalado por grupos culturais que espalharam música pelas ruas.

Quem percorreu o traçado urbano a pé se deparou, a cada esquina, com rodas de capoeira, fanfarras, danças indígenas, bandas percussivas e a congada, expressão religiosa fundamental para a tradição mineira. O batuque ecoou por todos os cantos da cidade, a terceira do Estado a ser visitada pelo comboio olímpico.

No Dia das Mães, muitas delas elegeram a cerimônia de revezamento como programa de família e não faltaram homenagens públicas. Nascido e criado em Araxá, o vendedor Aldo Benatti, 45 anos, não se deu por satisfeito e confeccionou uma réplica da tocha, em cartolina. Em homenagem à mãe e à esposa, escreveu a mensagem “Viva as mães”!

Personagens

Perto da casa de Benatti, um dos personagens mais queridos da cidade fez o papel de condutor do fogo sagrado. Correr com as mãos ocupadas não chega a ser novidade para Wagner Carlo, ou simplesmente Waguinho.

Recentemente aposentado, ele foi garçom durante toda a vida e, aficionado por corrida, disputou diversas vezes a São Silvestre, em São Paulo, de uniforme e bandeja em punho. Durante os 200m em que conduziu a tocha, Wagner foi empurrado pelos gritos de “Waguinho! Waguinho!”. “Esse é um momento único para o Brasil. Ver a cidade de Araxá colorida e com tanta festa não tem preço. Subindo aquela ladeira, me senti fazendo parte da Olimpíada”, disse.

O amadorismo não deixou Ana Cláudia Borges Martins, de 33 anos, de fora dos Jogos Rio 2016. Atleta de ciclismo e taekwondo, ela também sentiu-se inserida no maior evento esportivo do mundo ao conduzir a tocha da porta do Teatro Municipal até alguns metros antes da Igreja Matriz. A participação foi quase uma surpresa, já que o pai a inscreveu no processo de seleção feito por uma empresas patrocinadoras.

“Por saber que, como atleta amadora, eu não tenho chance de chegar a uma Olimpíada ter a honra de carregar a tocha como uma das representantes da minha cidade é bastante prazeroso”, relatou.

Heráclita Ramos de Jesus, uma das remanescentes da comunidade indígena Canelas em Araxá, deixou o descanso típico do domingo para levar a neta e as bisnetas ao revezamento. Aos 67 anos e com cocar na cabeça, ela lembrou dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, ano passado, em Palmas (TO). “As aldeias têm os seus jogos, e é importante que nossos jovens vivam isso de forma plena. A cultura precisa ser mantida em todas as partes”, lembrou.

Encerramento no Mirante de Cristo

O grande encerramento do revezamento foi também o momento mais emocionante de todo o trajeto. Aos pés da escadaria do Mirante de Cristo, um dos principais pontos turísticos de Araxá, a assessora municipal de Esportes Especializados e triatleta, Jane Porfírio Magriotis, foi a escolhida para subir os 327 degraus que conduzem ao topo do monumento.

Na adolescência, Jane tornou-se tenista e chegou a entrar no ranking mundial. Depois, encantou-se pelo mountain bike, e, competindo por esse esporte, chegou a ser campeã mineira, brasileira, e conquistou o quarto lugar em um campeonato mundial. Mas um acidente desviou a rota e levou a araxaense para o triatlo.

Além da excelente forma física aos 51 anos, Jane trouxe os moradores da cidade para dentro de sua experiência pessoal. Em diversos níveis da subida, parou para cumprimentar conterrâneos, distribuiu beijos com as mãos e saudou a multidão de braços abertos. Ao chegar aos pés da estátua de Cristo, ela ergueu a chama em direção à imagem e, discretamente, rezou. “Foi a maior emoção que tive na vida.”

Fonte: Tour da Tocha - Brasil 2016

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