Do que são feitos os Líderes

Do que são feitos os Líderes

Ao abordarmos as competências necessárias para a formação de um Líder, o que permeia nossa visão é a noção de que quando ocorre uma boa relação entre o amadurecimento técnico e específico dentro de uma organização e a ascensão aos níveis mais complexos das relações interpessoais alcançaremos as habilidades gerenciais, sabendo que estas se diferem da Liderança.

 

Segundo K. Davis e J. Newstrom, “Liderança é o processo de encorajar e ajudar os outros a trabalharem entusiasticamente na direção dos objetivos”, ao contrário das mencionadas habilidades gerenciais, que prezam por conhecimentos e habilidades específicas e técnicas de uma ocupação.

 

Atualmente, em visitas e reuniões em algumas consultorias realizadas, observo que boa parte dos Líderes acreditam na construção de um local de trabalho que extraia o melhor de cada um, onde todas as pessoas possam sentir que o que elas fazem importa! Porém, um aspecto simples e contraditório é a necessidade de (re)afirmar o papel de Liderança e quem é o Líder em tais situações. Margaret Thatcher (1998), com conceitos e ações que predominam até os dias de hoje, definiu bem esta ideia ao citar que: “Estar no poder é como ser uma dama. Se você tem que dizer às pessoas que você é, então você não é”.

 

A proposta dessa reflexão, não é conceituar os tipos de Liderança e qual o melhor caminho a seguir. Independente se o estilo de liderança seja Democrática, Autocrática, Liberal, Servidora, Situacional, Compartilhada ou Pedagógica, além de vários outros estilos criados a cada momento. O que importa é a necessidade de desenvolver-se continuamente nas competências interpessoais e cognitivas, e, ainda, observar os pontos mais vulneráveis e impregnados em sua conduta, e, ao mesmo tempo, ser capaz de inspirar confiança e merecer o respeito de seus seguidores.

 

Nesta linha de pensamento, podemos ainda refletir sobre fatos observados e relacionados à falta de cumprimento de um código de ética implantado e afixado nas paredes de tantas empresas e organizações onde os aspirantes a Líderes estão imunes a tais normas e procedimentos. Se o Líder não transpira o “acreditar” aplicando em seu cotidiano por meio de vivências a seus pares e subordinados, quem o seguirá?

 

A busca incessante pelo amadurecimento profissional nestes casos envolve um trabalho de introspecção e análise pessoal, elencando suas potencialidades, performances, nível de raciocínio lógico e abstrato, dimensões comportamentais, enfim, um verdadeiro Raio X, para que, traçando suas potencialidades e fragilidades, finalmente seja possível se organizar para o desenvolvimento necessário.

 

De fato, a verdadeira liderança não pode ser concedida, nomeada ou atribuída. Deve ser conquistada. Não basta tratar “as” pessoas de maneira diferenciada. O Líder deve tratar “com as” pessoas, tomando como base seus pontos fortes solicitando delas, além do que pensam ser capazes, o desafio a todo momento de forma que possam se surpreender com seu potencial. Ele pode ser rígido, severo e muitas vezes exigente; deve basear-se no uso sensato da autoridade e na responsabilidade para a obtenção de resultados.

 

E, para alcance dessa proposta de trabalho, se assim podemos chamar, o Líder deverá criar um processo de autoavaliação de desempenho, sendo, acima de tudo, honesto, rigoroso e fazer com que esse processo se integre ao dia-a-dia de forma a transparecer a confiabilidade e consistência de suas ações.

 

Por fim, há algo muito importante que conta a seu favor. Ao analisarmos isoladamente parte do estudo de Aristóteles, “somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito”. Então, podemos (re)definir tal pensamento e acreditar que as pessoas aprendem quando ensinam, ou seja, o Líder precisa transformar seus liderados em agentes multiplicadores e trazer para si realizações práticas de um simples estilo de liderança.

Wendel Rodrigo de Almeida é mestre em Educação, com ênfase em Treinamento e Desenvolvimento. Especialista em Orientação Vocacional e Profissional, Docência do Ensino Superior, Psicologia Organizacional e Gerenciamento de Empresas. Atualmente atua como Professor e Consultor na área de Gestão.

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