Em apoio à reitoria e ao MP, professores do Uniaraxá organizam paralisação

Em apoio à reitoria e ao MP, professores do Uniaraxá organizam paralisação

Da Redação/Jorge Mourão – 21.02.2011 – Apesar de ainda estarem formalizadas por denúncias que estão sendo investigadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), as supostas inteferências pedagógicas e religiosas do conselho diretor da Fundação Cultural de Araxá (FCA) – principalmente do ex-diretor pedagógico e atual presidente da entidade, José Gino Borges – nas ações da reitoria e outros departamentos do Centro Universitário do Planalto de Araxá (Uniaraxá) a cada dia ganham mais proporções no ambiente universitário da cidade.

Um movimento formado por professores, apoiado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e demais funcionários, organiza uma paralisação pacífica para a próxima sexta-feira (25), durante todo o dia, no campus do Uniaraxá, em favor das investigações da Promotoria de Justiça de Fundações – que move uma medida cautelar na Justiça pedindo intervenção e afastamento do conselho diretor para a continuidade dos trabalhos.

Além disso, na sexta-feira passada (18), uma carta assinada por professores e funcionários (mais de 160 assinaturas) em apoio ao reitor foi distribuída para a imprensa dizendo que ele e outros docentes estariam sofrendo pressões psicológicas do conselho diretor da FCA.

O professor do Uniaraxá e representante regional de ensino superior do Sindicado dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), José Carlos da Silva, afirma que o objetivo da paralisação é sensibilizar a comunidade.

“Os professores não estão satisfeitos com o que tem acontecido na atual direção do Uniaraxá, que é a mantenedora. Isso (falando sobre as interferências apontadas) não pode acontece, tem que ter melhorias na fundação. Ela tem que se preocupar com a manutenção do ensino que o Uniaraxá prega. O Uniaraxá é os professores, é a parte pedagógica, é a formação do profissional, é educacional”, afirma.

“Não é simplesmente um engenheiro, ou outra profissão que seja, chegar  na instituição, na direção da fundação, e migrar para lá (falando sobre o cargo de diretor pedagógico), achando que vai fazer um bom serviço. Isso para nós, professores, é uma afronta, inclusive, para o nosso sindicato, que nos dá respaldo. Não podemos deixar isso alastrar”, acrescenta o sindicalista.

Segundo ele, a qualidade do ensino do Uniaraxá pode ser prejudicada se tais interferências continuarem. “Quem na verdade trabalha com a qualidade do ensino é o Uniaraxá. O papel da mantenedora é fazer com que tudo transcorra bem, que tenha verba, dinheiro bem administrado, para que o Uniaraxá possa executar os projetos pedagógicos, as pesquisas, as iniciações científicas, formar  um ensino de qualidade. A partir do momento que há essa intervenção no trabalho da mantida, já começa a perder o sentido, a cair a qualidade do ensino. Quem fica prejudicada é a comunidade estudantil e a comunidade docente que vai ficando sem credibilidade, e no final chega à sociedade”, afirma o professor.

“Onde vamos levar os nossos alunos? Correr risco em estradas para estudarem em outras universidades ou vão estudar no Uniaraxá? Os professores cansaram, não podiam ficar calados. Estamos mobilizados, vamos parar neste dia 25, e esperamos que a Justiça entenda. Os alunos também estarão conosco, estão interessados, a gente quer trabalhar, fazer ensino de qualidade, porque por trás tem cobrança, o MEC (Ministério da Educação) cobra ensino de qualidade, o Uniaraxá tem se empenhado nisso, com professores mestres e doutores, pessoas comprometidas com a educação, não podemos deixar que a mantenedora venha a fazer o nosso trabalho, que atrapalhem o ensino no Uniaraxá”, acrescenta.

José Carlos ressalta que a paralisação não terá manifestos. “Vamos repor as aulas com os alunos, está sendo tudo organizado de maneira civilizada, ninguém vai levantar bandeira, vai protestar. Existem professores que ao longo da história vem fazendo o seu papel, e é isso que vamos mostrar”, diz.

Ele afirma que o apoio ao Ministério Público é uma causa justa. “Sabemos da luta da promotora doutora Mara (Lúcia Silva Dourado). Parece que ela está sozinha nesta luta, mas não está. Os professores aderiram esse apoio, queremos intervenção, decidir mais rápido os processos de sucessão de como vai eleger a nova direção (da FCA), não dá para protelar mais. Estamos com a promotora para que consiga resolver e convecer o juiz, o Uniaraxá precisa dessa decisão. Se for preciso, vamos fazer outras paralisações.”

DCE apoia a causa

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) do Uniaraxá afirma que é a favor da paralisação. “Falando em nome de todos os alunos, acredito que, no pedido feito pela promotora e dentro dos argumentos que foram usados, existe alguma coisa  que não está sendo condizente com aquilo que é propício aos alunos, Então o DCE se posiciona sempre ao que é a favor dos alunos do Uniaraxá”, afirma o presidente do DCE, Marcelo Luiz Alves.

Segundo ele, a imagem do Uniaraxá está ficando degradada. “É o que temos visto com toda essa batalha entre o Ministério Púlbico e a Fundação Cultural de Araxá. A gente vê a questão da evasão de alunos, todas essas imagens negativas, e a tendência é prejudicar a imagem do nosso centro universitário perante à sociedade de Araxá e região”, afirma.

Apesar disso, Marcelo afirma que as interferências apontadas diminuíram. “Não vejo atualmente a fundação tão dentro do Uniaraxá como esteve no ano passado, mas acredito que, se existe a mantenedora e ela trabalha com o orçamento passado pela mantida, uma vez aprovado, esse orçamento teria que ser acatado. Afinal de contas, eu acredito que é sempre a mantida que está preocupada em manter a qualidade de ensino para os alunos”, diz o presidente.

Marcelo acrescenta que os alunos estão sentindo o clima de divergência entre mantenedora e mantida. “Elas não deveriam estar lutando entre si, mas sim deveria ter uma sinergia, porque poderia estar trazendo mais benefícios para os alunos, ou seja, o DCE vai estar a campo sempre em prol do que é melhor para os alunos”, ressalta.

“De certa forma, a atual gestão criou uma rejeição entre corpo discente e docente, mas acho que nada é impossível, até poderia acontecer essa mesma reversão com a mesma diretoria, mas enxergo que seria difícil. A solução seria, enquanto na mão do prefeito (Jeová Moreira da Costa), enquanto é o prefeito que nomeia (o conselho diretor da FCA), a minha ideia é que substitua todo o conselho. Uma pessoa não dirige sozinha, não tem como trocar o cérebro e o restante continuar.”

Coletiva

O presidente da FCA, José Gino Borges, vai falar sobre as acusações de interferência e processo movido pelo Ministério Público em entrevista coletiva para a imprensa na manhã desta terça-feira (22).

Prefeitura

A Assessoria Municipal de Assuntos Jurídicos da Prefeitura de Araxá, responsável pela nomeação do conselho diretor da FCA, só vai se manifestar sobre o assunto após a audiência na Justiça marcada para o próximo dia 28.

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