Evasão de alunos pode reestruturar ProJovem Urbano

Evasão de alunos pode reestruturar ProJovem Urbano

A quantidade de alunos que não têm comparecido às aulas do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem Urbano) tem preocupado alguns municípios mineiros. A evasão de alunos pode acabar em uma reestruturação do programa em todo o Estado e reduzir o número de jovens assistidos.

Em Araxá, o ProJovem atende 400 alunos, divididos em dois núcleos (escolas estaduais Armando Santos e Padre Anacleto), mas apenas 50% dos inscritos comparecem às aulas, um número abaixo que o mínimo estipulado pelo governo federal.

O objetivo do ProJovem Urbano é a inclusão social dos jovens brasileiros de 18 a 29 anos que, apesar de alfabetizados, não concluíram o ensino fundamental, além do desenvolvimento de ações comunitárias com práticas de solidariedade, exercício da cidadania e intervenção na realidade local.

O programa oferece a conclusão do ensino fundamental em 18 meses, a qualificação para o mercado de trabalho, além de bolsa-auxílio de R$ 100 por mês (com comprovação de freqüência e rendimento escolar em 75%.O programa, iniciado em outubro passado, tem duração de 18 a 20 meses.

O interlocutor do ProJovem Urbano em Araxá, Anderson Alves Costa, diz que para o programa ser viável economicamente 300 alunos frequentes.

“Cerca de 200, 220 alunos estão frequentando os núcleos criados, quando deveríamos ter no mínimo 300 alunos assistindo as aulas, 150 em cada núcleo. Essa evasão escolar é normal, um problema que acontece em todo o país. Essa dificuldade já era esperada devido ao perfil do nosso público-alvo, jovens que muitas vezes deixam a escola para trabalhar, para constituir família, cansaço, entre outros motivos”, destaca.

De acordo com ele, no início do programa muitos alunos faltavam às aulas por falta de dinheiro para transporte. “Esse problema nós conseguimos solucionar, fizemos uma parceria com a Vera Cruz e os alunos começaram a receber o vale card estudantil. A questão da alimentação também era um problema, já que muitos iam do trabalho direto para a escola e nós reforçamos o lanche para evitar a evasão escolar”, afirma.

“Agora, em 2010 tivemos um novo problema que é o recesso do início de ano e o carnaval, onde muitos alunos deixaram de frequentar as aulas. Para solucionar mais esse obstáculo, estamos colocando todo o suporte da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano, do município como todo, para realizarmos uma busca ativa desses jovens faltosos”, acrescenta Anderson.

Segundo o interlocutor, os alunos que não interessam em participar o programa devem procurar os educadores. “Nós temos um número de excedentes matriculados, mas para fazer a substituição o jovem faltoso deve assinar o termo de declaração desistindo da vaga. Em dezembro passado, visitamos esses jovens que não comparecem às aulas levando esse termo, mandamos cartas, mas apenas quatro pessoas desistiram da vaga. Hoje, estamos fazendo uma busca ativa para que esses alunos voltem a frequentar as aulas e esperamos funcionar pelo menos com o mínimo permitido.”

Anderson explica que o ProJovem Urbano não vai acabar no município. “Se os municípios mineiros onde o programa está implantando não alcançarem o número mínimo de alunos frequentando as aulas, o Estado vai reestruturar o programa, ou seja, turmas serão reduzidas e pode diminuir também o número de educadores.”

Ele diz que os alunos faltosos não recebem Bolsa Auxílio de R$ 100 por mês. “Para incentivar a volta desses jovens, estamos tentando junto a coordenação do Estado beneficiar os alunos com bolsas retroativas, onde eles vão receber a Bolsa Auxílio dos meses que não compareceram às aulas. É bom ressaltar que a gente não pode fazer a substituição de alunos sem a declaração de desistência, portanto, o nosso trabalho é incentivar a volta dos alunos faltosos”, afirma.

“O projeto é muito importante para o município e principalmente para os alunos beneficiados. Estamos fazendo de tudo para que o projeto seja bem desenvolvido no município e a expectativa é que as salas voltem a encher nos próximos dias”, destaca Anderson.

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