FCCB abre inscrições para o Festival Acústico da Canção

FCCB abre inscrições para o Festival Acústico da Canção

Festival Acústico da Canção 'Otávio de Mederos'

Da Redação – A Fundação Cultural Calmon Barreto (FCCB) está com inscrições abertas até o dia 20 de março para o Festival Acústico da Canção ‘Otávio de Mederos’, guitarrista morto no ano passado em decorrência de uma agressão sofrida em uma boate de Araxá. Podem participar compositores de todo o país.

O evento acontece em 28 de abril, no pátio da FCCB, com a apresentação de 10 músicas (composições inéditas) selecionadas por uma comissão julgadora serão avaliadas.

De acordo com a organização, o objetivo é revelar talentos da Música Popular Brasileira. As inscrições são feitas exclusivamente pelo site do festival – música concorrente deve ser anexada em formato MP3 com no máximo 5MB compactado em .ZIP ou .RAR (ver regulamento).

Premiação

1° lugar – R$ 5 mil.

2º lugar – R$ 3 mil.

3° lugar – R$ 2 mil.

Melhor intérprete – R$ 1 mil.

Sobre Otávio de Mederos

Otávio Medeiros Rocha nasceu em Belo Horizonte em 20 de dezembro de 1983. Quando criança, já apresentava dom musical, característica própria, demonstrando através de suas mãos, intensos compassos rítmicos, com gestos inquietos e contínuos. Ainda na fase adolescente, apresentava essa inquietude no seu comportamento. Batucava em mesas, nas próprias pernas, marcando compassos rítmicos.

Iniciou na música ainda na fase adolescente, quando aos 15 anos foi presenteado com um teclado. Demonstrava pouco interesse pelo instrumento. Sempre escutava histórias do seu avô materno solando seu cavaquinho, sua mãe e tios tocando violão em reuniões familiares e, desta forma, nasceu a vontade de tocar instrumento de cordas.

Passou a treinar com dedicação, desistindo do teclado, trocando-o por uma guitarra. Já sentia paixão pelo estilo rock n’ roll que veio ocupar grande espaço em sua vida. Estava se encontrando. Foi sempre defensor da música, enquanto profissão.

A dedicação exclusiva à música veio em 2003, após rápida passagem pelo curso de Administração da PUC/MG. Ingressou nas mais conceituadas escolas de música de Belo Horizonte, entre diversos cursos com profissionais que apresentavam particularidades, adquirindo técnicas, expressões e métodos, além de estudar muito, garantindo-lhe o domínio dos instrumentos de corda.

Iniciou-se, desta forma, na carreira tocando em pequenas bandas. Foi guitarrista e violinista da banda de heavy metal Ata D’arc, que se encontrava num meio sólido de revistas de gênero, recebendo convite para gravação/produção com Duane Baron, mesmo produtor de Ozzy Osbourne, Dream Theater e filmes da Disney.

Atuava também com gravação e produção sonora. Iniciou, então, carreira própria, adotando o nome “Otávio de Mederos” criando seu método de ensino, lecionando aulas de guitarra, violão clássico/popular, harmonia, arranjo, composição, improvisação e teoria geral. Exigia disciplina, muito estudo, criatividade, competência e respeito.

Mudou para Araxá, considerada por ele ser a cidade da música, através de um amigo, que ali mantinha uma fábrica de guitarras. Criou sua Escola de Música Otávio de Mederos em 2004. Nesta época, estava com seus 20 anos. Durante quase sete anos que ali residiu, viveu, também, intensamente.

Sentia-se feliz e realizado! Sua escola de música crescia cada vez mais. Ampliou o espaço, selecionando professores para auxiliá-lo, mantendo diversas turmas de alunos entre crianças, jovens e adultos. Gostava de apresentações com certo “glamour”, tornando-o especial.

Em 2008, foi vencedor do Festival Nacional de Guitarristas do Vale do Paraíba, em Lorena (SP), concorrendo com música própria, e 2º lugar no Guitar Festival de âmbito internacional, realizado pelo Conservatório Souza & Lima, São Paulo (SP).

Em julho de 2011, resolveu retornar para Belo Horizonte, com o objetivo de estudar Música na UFMG; vários projetos em andamento. Começou ministrar aulas na escola Pró-music.

No dia 21 de agosto de 2011, entretanto, foi vítima na cidade de Araxá, quando numa de suas idas a serviço, sofreu ato de violência por um jovem que lhe desferiu um golpe na cabeça, sendo internado com traumatismo craniano, e, não resistindo, faleceu oito dias depois.

A sua história deixa marcas de muitas lutas, reconhecimentos, saudades eternas e grande reflexão sobre “respeito” e “paz”.

Seus familiares doaram seus órgãos, em ato solidário àqueles que precisam construir sua história, reafirmando o seu desprendimento que demonstrava ter pelas coisas mundanas.

Com trechos do texto de Suely Medeiros Rocha

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