Funcionária demitida acusa perseguição religiosa na FCA

Funcionária demitida acusa perseguição religiosa na FCA

Da Redação – Uma funcionária da Fundação Cultural de Araxá (FCA) foi demitida por justa causa acusada de ter acesso sem autorização e furtado documentos sigilosos que teriam sido flagrados por testemunhas, segundo o comunicado de dispensa. A rescisão foi feita pelo conselho diretor da entidade nesta quinta-feira (7). A assistente de Suprimentos e Manutenção, Viviane Maria de Castro Reis, nega as acusações e diz que a demissão foi motivada por questões religiosas, já que ela é frenquentadora da mesma igreja do ex-presidente da FCA, José Gino Borges. Ela acionou a Polícia Militar e registrou ocorrência (foto).

 “Quando houve a intervenção todas as pessoas (da igreja) que trabalhavam na fundação foram demitidas (11 no total), mas ninguém sabia fazer a minha função e resolveram não me mandar embora. Eles colocaram uma pessoa no meu setor para aprender a fazer o serviço e eu ensinei com a maior boa vontade. Eu trabalhei no sistema até o dia que ela aprendeu todo o trabalho, inclusive na reunião que tivemos eu elogiei muito a pessoa pela facilidade que ela teve e solicitei ao conselho que me transferisse de setor, pois sou formada em Direito. Eles disseram que iam estudar a possibilidade, mas hoje me chamaram na sala e me demitiram por justa causa, alegando que eu fui pega em flagrante furtando documentos da fundação”, diz.

 “Lá tem câmeras e se eu tivesse furtado alguma coisa tinha sido filmada. Agora eu quero que eles (conselho diretor) se retratem e, mesmo assim, eu vou lutar pelos meus direitos. Eles falavam que existia perseguição religiosa na fundação, mas pelo que eu vi a perseguição é comigo”, contesta.

Segundo Viviane, o conselho diretor pediram para que ela assinasse uma carta concordando com a demissão. “Isso para dar a entender não houve perseguição religiosa. O meu setor é o de compras, eu não tenho acesso a documentos sigilosos. Eu entro em todos os setores porque tenho que imprimir documentos para compras. Como eu neguei a fazer a assinar a carta, arrumaram outra forma de me prejudicar”, afirma.

FCA diz que demissão não foi feita do nada

O diretor-executivo da FCA, Naldo Ferreira Alves, diz que a demissão foi uma medida necessária da fundação e não foi feita do nada.

“Existem situações em que a instituição precisa tomar decisões e segue as vias normais de qualquer instituição. Uma demissão não é feita do nada, mas oportunamente isso será esclarecido pelas vias legais. Nós conversamos com a funcionária sobre os motivos da sua demissão e ela tomou a liberdade de chamar a imprensa, mas nós consideramos, momentaneamente, o assunto encerrado. As decisões não foram tomadas sem fundamentos, claro que ocorreu um procedimento prévio”, afirma Naldo.

Pela versão do diretor, a funcionária manifestou o desejo de sair da instituição há 15 dias. “Ela alegou motivos pessoais e pediu para ser demitida, mas não temos essa política na fundação. Pedimos para que ela apresentasse uma solicitação de remanejamento ou uma situação que a gente pudesse considerar o pedido dela, mas ela não quis formalizar nada”, diz.

“É bom destacar que o que ocorreu hoje não tem nada a ver com a situação inicial, com a primeira conversa que tivemos. Foi uma decisão extremada, mas tivemos que fazer e agora vamos aguardar os procedimentos normais.”

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