Funed alerta para perigos com animais peçonhentos no verão

Funed alerta para perigos com animais peçonhentos no verão

Nos meses mais quentes do ano, a temperatura e as chuvas abundantes favorecem o aparecimento mais frequente de alguns animais peçonhentos, como as serpentes e os escorpiões. Quando as tocas desses bichos ficam úmidas, eles saem para procurar novo abrigo. A Fundação Ezequiel Dias (Funed), referência estadual no recebimento desses animais e única produtora em Minas dos soros antipeçonhentos, já registra maior movimento de entrega de exemplares pela população, Polícia Ambiental e Bombeiros.

Quando os animais entregues reúnem condições adequadas, eles passam a fazer parte da rotina de coleta de veneno, cuja toxina é matéria-prima para a produção do soro. A Funed é uma das quatro instituições brasileiras responsáveis pela produção de soros antiofídicos e antiescorpiônicos distribuídos pelo Ministério da Saúde em todo território nacional.

A orientação aos cidadãos é evitar o acúmulo de lixo e entulho, principalmente tijolos e madeira, que atraem os alimentos dos escorpiões e serpentes – insetos e ratos, respectivamente – e também servem como abrigo. Não existe um produto que espante esses animais. Portanto, além de não fornecer casa e comida, é preciso tampar ralos e frestas das portas, para que eles não entrem em casa. Segundo o técnico Leopoldo Capanema, do Serviço de Animais Peçonhentos da Funed, caso uma pessoa seja picada por uma serpente, ela deve lavar bem a região, ficar calma, evitar esforço físico e procurar atendimento médico imediatamente.

Quando o acidente é causado por um escorpião, os sintomas são fortes dores e aquecimento no local da picada, como se fossem agulhadas. Segundo a técnica Érica Munhoz de Mello, o paciente pode sentir também náuseas e sudorese. A orientação é a mesma: lavar bem a área picada com água e sabão e procurar atendimento médico. É importante que a vítima seja levada diretamente para um Pronto Socorro, para evitar transferências e perda de tempo, e não apostar em receitas caseiras. Além de não contribuir para minimizar os efeitos do envenenamento, essas medidas podem piorar a situação. Não se deve chupar o local, cortar, consumir bebidas alcoólicas, usar pomadas, óleos, ervas ou borra de café, tomar analgésicos e fazer torniquetes ou garrotes.

Ao contrário da crença popular, os animais só atacam quando se sentem ameaçados. No caso do escorpião, o raio de ação se limita ao alcance da cauda. Com um pote de vidro ou plástico e muito cuidado, é possível capturá-lo e levar para o Setor de Zoonoses de Araxá.

Já com as serpentes, o processo de captura é mais complexo e só deve ser feito por uma pessoa capacitada, com o equipamento adequado. Caso não haja as condições necessárias, o ideal é ligar para a Polícia Militar, no 190; Corpo de Bombeiros, no 193; Ibama, no (31) 3555-6100 ou no Setor de Zoonoses da Prefeitura de Araxá (34) 3691-7139. As serpentes capturadas também são recebidas pela Funed. A fundação oferece treinamento para policiais, bombeiros e funcionários de empresas que precisam lidar com captura dos animais peçonhentos.

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