Larvas do Aedes aegypti podem estar nos lugares mais inesperados

Larvas do Aedes aegypti podem estar nos lugares mais inesperados

A recomendação é uma só: não deixe acumular água parada. Qualquer local que possa acumular o mínimo de água, já é suficiente para que as larvas do mosquito depositem suas larvas e se reproduzam, por isso, são inúmeros e as possibilidades devem ser cuidadosamente observadas. O mosquito transmite Dengue, Chikungunya e Zika Vírus.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), entre estes locais de difícil identificação estão brinquedos deixados no quintal, caixas de leite, latas, tampinhas de garrafas jogadas no lixo, filtro de água que acumula água sem uso, churrasqueira deixada no quintal e que encheu de água da chuva, um sapato que ficou ao ar livre, tocos de árvores e mais uma infinidade de locais. O olhar deve estar alerta ao procurarmos os focos do mosquito da Dengue.

De acordo com o superintende de Vigilância Epidemiológica da SES, Rodrigo Said, eliminar os focos mais difíceis é importante para o controle da proliferação do mosquito e, consequentemente, das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

“Combater todo o tipo de possibilidade de criatório do mosquito é de suma importância para o controle da dengue no estado. Focamos as ações e campanhas nos criadouros produtivos, aqueles com maior potencial reprodução da larva. Porém, o estado e os cidadãos não podem descuidar nem mesmo dos pequenos focos. Por isso, a mudança é fundamentalmente de hábito”, diz Said.

10 Minutos Contra a Dengue

Para sensibilizar a população sobre a importância de reservar um tempinho para fazer uma vistoria para eliminar qualquer possibilidade de foco destas doenças, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) lançou a campanha “10 Minutos Contra a Dengue”.

Esta nova abordagem é fruto de uma pesquisa elaborada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio de Janeiro, que foi inspirada em uma estratégia adotada em Cingapura, no Sudeste Asiático. Ao reservar dez minutos semanais para a limpeza das residências, os moradores daquela localidade conseguiram controlar o Aedes aegypti e, com isso, eliminar possíveis criadouros.

A campanha traz um “check list” com 14 passos para a eliminação dos focos do mosquito:

Dengue, Chikungunya, Zika Vírus

Dengue é uma doença séria. Em casos mais graves pode, inclusive, levar a morte. Trata-se de uma doença infecciosa febril que dura um pouco mais de uma semana e é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, da família Flaviridae.

Com quatro sorotipos diferentes, a Dengue pode ser adquirida mais de uma vez, mesmo que a pessoa já tenha contraído a doença. Trata-se de uma doença infecciosa febril que dura um pouco mais de uma semana. O diagnóstico da Dengue se dá através de exame clínico no consultório médico no qual o profissional realiza a Prova do Laço e faz o pedido laboratorial para um exame de sangue no paciente. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a pessoa com Dengue tome muito líquido para evitar desidratação e só use medicamentos com recomendação médica.

Já a Chikungunya é uma doença viral, muito comum em algumas regiões da África, causada pelo vírus CHIKV, da família Togaviridae. Na fase aguda, os sintomas são febre alta, dor muscular, exantema (erupção na pele), conjuntivite e dor nas articulações (poliartrite). No Brasil, o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, mosquitos transmissores da dengue e da febre amarela, são vetores em potencial da doença.

E, por último, o Zika Vírus provoca uma doença com sintomas muito semelhantes ao da Dengue, febre amarela e Chikungunya. De baixa letalidade, a chamada febre zika causa febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) sem secreção e sem coceira, artralgia (dores nas articulações) e exantema maculo-papular (manchas ou erupções na pele com pontos brancos ou vermelhos), dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas. A doença tem um período de incubação de aproximadamente quatro dias até os sintomas começarem a se manifestar e os sinais e sintomas podem durar até sete dias.

No final de dezembro de 2015, o governador Fernando Pimentel, o vice-governador Antônio Andrade e o secretário de Estado de Saúde, Fausto Pereira dos Santos lançaram, no Palácio da Liberdade, o Comitê Gestor Estadual de Políticas de Enfrentamento à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus. A reunião contou com a presença de representantes das diversas secretarias e instituições do Estado, que também irão compor o comitê, de forma a otimizar as ações de controle ao vetor.

Na ocasião, o governador anunciou investimentos na ordem de R$ 30 milhões, provenientes do orçamento da Secretaria de Estado de Saúde, para que os municípios possam reforçar as ações dos agentes de endemias, dos agentes comunitários de saúde (ACS), das equipes de saúde da família e as ações de assistência. Para saber mais sobre a iniciativa, clique aqui.

Dúvidas frequentes

Existe mais de um tipo de vírus da Dengue?

Sim. São quatro tipos, sendo eles o DENV-I, DENV-II, DENV-III e DENV-IV. Com esses vírus, as pessoas que já foram infectadas podem novamente ficar doentes e desenvolver a forma grave da dengue que, se não for tratada, pode levar à morte. Uma pessoa que já teve Dengue pode pegar novamente? Sim, isso é possível. Porém, a mesma pessoa nunca fica doente por causa do mesmo tipo de vírus, mas poderá ser contaminada pelas outras três espécies de vírus da Dengue.

Como é o tratamento da Dengue, de um modo geral?

Assim como nas outras viroses, o tratamento consiste em repouso, ingestão de líquidos e remédios sob prescrição médica que aliviem os sintomas.

Como evitar a Dengue?

A maneira de evitar a dengue é eliminar qualquer foco de água parada no qual o mosquito possa se reproduzir. Todas as pessoas devem cuidar de suas casas e locais de trabalho de modo que consigam manter o ambiente sempre limpo e longe de qualquer possibilidade de acúmulo de água.

Gestantes podem utilizar repelente com o mosquito da Dengue?

Podem, sim. Elas devem escolher os repelentes com DEET na versão para adultos (15%) com até 6 horas de duração e não a versão infantil, que tem apenas 6 a 9% do ativo e duração mais curta (2 horas). Após a aplicação o repelente evapora e forma uma “nuvem” de aproximadamente 4 cm em volta da pele que repele o inseto.

Assim, não é recomendado usar o repelente por baixo das roupas, mas por cima dos tecidos e apenas na pele exposta (braços, colo, pernas, pés). Desta forma, primeiro se usa-se hidratantes, filtros solares, maquiagem e o repelente deve ser o último produto. Além disso, a segurança para a utilização de repelentes ambientais e inseticidas em ambientes frequentados por gestantes depende da obediência a todos os cuidados e precauções descritas nos rótulos dos produtos.

Inseticidas naturais funcionam para afastar o mosquito da Dengue?

Não. Os inseticidas “naturais” à base de citronela, andiroba e óleo de cravo, entre outros, não possuem comprovação de eficácia. Todos os produtos repelentes ditos como “naturais”, comumente comercializados como velas, odorizantes de ambientes, limpadores e os incensos, que indicam propriedades repelentes de insetos, não estão aprovados pela Anvisa.

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