Minas começa a usar novo tratamento para combater a tuberculose

Minas começa a usar novo tratamento para combater a tuberculose

Na semana em que se comemora o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, em 24 de março, Minas Gerais anuncia que, a partir de abril, passará a disponibilizar o novo esquema de tratamento de combate à doença. A medicamentação, que será introduzida em todo o país ao longo deste ano, será mais eficaz ao controle da tuberculose, uma vez que diminui a possibilidade de resistência bacteriana.

“A principal mudança que teremos é a introdução de um quarto fármaco, o etambutol, substância que vai evitar a resistência dos pacientes à Rifampicina e à Isoniazida, que são dois antibióticos presentes no tratamento. Trata-se de um esquema com excelentes resultados terapêuticos utilizado mundialmente”, destaca o coordenador estadual de Pneumologia Sanitária, Edílson Correa de Moura.

Outro aspecto positivo é que o paciente passará a tomar quatro comprimidos; até então, eram ingeridos seis. Com isso, haverá redução dos efeitos colaterais e, consequentemente, diminuição do abandono do tratamento.

“A introdução desse novo fármaco diminui a concentração de outras drogas, tornando o medicamento menos agressivo. Esperamos que, com isso, as pessoas se tornem mais receptivas ao tratamento”, diz Edílson.

É importante ressaltar que não houve alteração no tratamento para crianças até dez anos de idade. Além disso, as medicações até então utilizadas estarão disponíveis para serem usadas nas demais faixas etárias em casos especiais.

Dois milhões de cápsulas do novo tratamento estarão disponíveis a partir de abril. Equipes das Gerências Regionais de Saúde (GRS) e dos 30 municípios considerados prioritários e/ou estratégicos para o controle da tuberculose receberam treinamento, para que possam orientar e esclarecer dúvidas dos pacientes.

Além disso, um seminário foi realizado na última quarta-feira (17), visando discutir a atual situação da doença no Estado, com a participação de profissionais de diversos setores.

Situação no Estado

Minas Gerais tem a quarta maior carga de tuberculose do país, registrando cerca de seis mil casos nos últimos seis anos. Apesar disso, o Estado apresenta o quarto menor risco de adoecimento por tuberculose.

“Essa informação parece um paradoxo, mas na verdade apenas indica que as políticas voltadas para o controle da doença estão surtindo efeitos positivos”, afirma Edílson. Segundo ele, para diminuir o registro de novos casos, a grande cobertura do Programa de Saúde da Família tem sido uma importante aliada.

O objetivo, cada vez mais, é detectar os casos da doença ainda na atenção primária, evitando que o cidadão tenha o primeiro atendimento nos hospitais, momento em que estarão em um estágio já avançado da doença, debilitados e com a saúde comprometida.

Além da detecção da doença em seu início, a estratégia mineira de combate à tuberculose tem outra atividade importante: o tratamento supervisionado. Essa proposta de intervenção contínua aumenta a probabilidade de cura dos doentes em função da garantia do tratamento assistido, contribuindo para a interrupção da transmissão da doença.

Essa estratégia de supervisão contínua dos pacientes, que recebe o nome de Dots, já é realizada em Minas e foi criada por instituições de saúde internacionais como um conjunto de ações para o cuidado do paciente com tuberculose.

Maior incidência

Em Minas, 70% dos casos estão localizados em 76 municípios. As cidades com maior número de notificações são Belo Horizonte, Juiz de Fora, Governador Valadares, Coronel Fabriciano, Contagem e Betim. Só a Gerência Regional de Saúde (GRS) de Belo Horizonte possui 35% dos registros, com 1.897 notificações.

A tuberculose é transmitida de pessoa a pessoa, principalmente, através do ar. A fala, o espirro, o canto e, principalmente, a tosse de um doente de tuberculose pulmonar bacilífera lança no ar gotículas, de tamanhos variados, contendo no seu interior o bacilo.

As gotículas mais pesadas depositam-se rapidamente no solo, enquanto que as mais leves podem permanecer em suspensão por diversas horas. Somente os núcleos secos das gotículas (Núcleo de Wells) podem atingir os bronquíolos e alvéolos, e aí iniciar a multiplicação.

As gotículas médias são, na sua maioria, retidas pela mucosa do trato respiratório superior, e removidas dos brônquios, através do mecanismo muco-ciliar. Os bacilos assim removidos são deglutidos, inativados pelo suco gástrico, e eliminados nas fezes. Os bacilos que se depositam nas roupas, lençóis, copos e outros objetos dificilmente se dispersarão em aerossóis e, por isso, não desempenham papel importante na transmissão da doença.

Quando suspeitar da tuberculose

– Todo paciente com tosse há mais de três semanas deve ser considerado um suspeito de tuberculose e encaminhado ao serviço de saúde para confirmação ou descarte do diagnóstico.

– Podem ocorrer outros sintomas como dispneia (sensação de falta de ar), dor no peito (tórax), hemoptise (tosse com sangue), suor (sudorese), febre, dor de cabeça, falta de apetite e apatia e prostração (sensação de cansaço), entre outros sintomas.

– Também deverão ser examinados todos os indivíduos que convivem ou conviveram com doentes de tuberculose (contatos), principalmente se também apresentarem sintomas respiratórios.

Com Agência Minas

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