Nissan Versa chega ao Brasil de olho nos concorrentes

Nissan Versa chega ao Brasil de olho nos concorrentes

Sedã popular com espaço quase equivalente ao de um médio, mas com preço de compacto. A receita não é nova – o Renault Logan que o diga. Mas a Nissan deu (literalmente) uma cara nova à ideia com o Versa. Inicialmente equipado apenas com um motor 1,6L 16V de 111 cv e câmbio manual, o modelo chega às revendas em novembro com preço partindo de R$ 35.490 na versão S.

Por este valor você leva de série direção elétrica, travas e vidros dianteiros elétricos, alarme e airbag duplo. O ar-condicionado eleva o preço para R$ 37.990. A versão intermediária, S, adiciona retrovisores e vidros traseiros elétricos e rádio CD-Player com entrada USB e iPod e parte de R$ 39.990. O ABS só é encontrado na topo SL, que também tem rodas de liga-leve de 15 polegadas e faróis de neblina como principais itens de série, por R$ 42.990.

O preço pode ser similar ao da concorrência, mas o Versa aposta em algo que só o “meio-irmão” Logan tem: espaço interno. Com um enorme entre-eixos de 2,60 m, ele só perde pro Renault (2,63 m). E seus rivais, bem, eles fazem jus ao termo “compactos”. É só olhar as medidas de Fiat Siena (2,37 m), Volkswagen Voyage (2, 46 m) e Ford Fiesta RoCam (2,49 m).

De dentro para fora

Se na cabine o Versa se equivale ao Logan, a diferença do outro lado da porta é gritante. O Renault pode não ser considerado feio, mas seu visual está longe de virar pescoços. Já o Versa, apesar de não ser ousado, tem mais personalidade. A marca, felizmente, optou por dar uma identidade própria à variante sedã do March. Do hatch vieram a plataforma (esticada), conjunto mecânico e o console.

Por isso não estranhe o painel inteiro de plástico e um modesto aplique de tecido nas portas. A simplicidade no interior é contornada pela boa construção, sem rebarbas entre os componentes e materiais sem a aspereza típica dos populares. A Nissan escorregou apenas no quesito segurança, pois o Isofix (que facilita a fixação de cadeirinhas de criança padronizadas) e cinto de segurança de três pontos para todos os ocupantes são oferecidos apenas na versão intermediária SV.

Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan, explicou o desfalque dos equipamentos. “Precisamos criar um degrau de itens entre as versões, daí a opção por retirar alguns acessórios das versões mais simples”, justificou o executivo. Por esse ponto de vista faz sentido que uma simples lâmpada de iluminação no porta-malas ou maçanetas cromadas só estejam nas versões mais caras.

Nem divertido, nem irritante

Ao volante o Versa apresenta desempenho condizente com a proposta de um sedã compacto familiar. Os 111 cv do motor 1,6L 16V flex não empolgam, mas cumprem com folga a tarefa de levar o carro ladeira acima. Não à toa, a apresentação do modelo à imprensa foi realizada na montanhosa Campos do Jordão (SP). Com comando de válvulas variável, o propulsor entrega potência de forma linear, mas precisa chegar aos 4.000 rpm para alcançar os 15,1 kgfm de torque máximos.

A certa letargia do Versa é justificada principalmente pela transmissão, com relações mais alongadas a partir da terceira marcha, tornando obrigatórias reduções para enfrentar serra acima – principalmente com o ar-condicionado ligado. A vantagem disso é que a quinta marcha proporciona giros menores em altas velocidades. A característica é bem vinda no Versa, que apresentou isolamento acústico deficiente – acima de 2.500 rpm o barulho do motor invade bastante a cabine, mesmo com todos os vidros fechados.

Para absorver buracos e outras imperfeições, a suspensão ganhou uma calibragem mais macia. O lado negativo disso é uma rolagem maior da carroceria, o que explica o uso de barras estabilizadoras no eixo dianteiro e traseiro. A direção com assistência elétrica é macia, mas poderia ser menos anestesiada – principalmente em altas velocidades.

Potencial de líder

Com visual diferente, espaço de sobra e com mais virtudes do que defeitos, o Versa pode bater a concorrência em pouco tempo – principalmente se a versão automática, vendida nos Estados Unidos, vier para cá. O ostracismo da Nissan já foi superado com os agressivos comerciais da marca, restando apenas a dúvida em relação à manutenção.

Para isso a Nissan oferece garantia de três anos e um plano de revisões com preço tabelado de R$ 1.744 até os 60 mil km. Tática similar da JAC com o J3 Turin, que ganha em garantia (seis anos), mas perde em espaço interno. Seguindo a onda de humildade de algumas fabricantes, a Nissan aposta que o Versa venda entre 1.800 e 2.000 carros por mês.

A média é abaixo do que o Logan vem obtendo este ano (3,2 mil/mês, segundo a Fenabrave) e ainda menor se comparado ao Voyage (7,2 mil/mês). Mas não é nada mal para uma marca que encerrou 2010 com míseros 1,08% de participação. A meta da Nissan é ser a maior asiática do Brasil até 2016. Há um ano isso soaria como uma piada, mas a chegada da marca maior segmento do País (carros abaixo de R$ 40 mil) mostra que os japoneses estão falando sério.

Com WebMotors

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