Prefeitura cancela envio de água mineral aos moradores do Barreiro

Prefeitura cancela envio de água mineral aos moradores do Barreiro

A Prefeitura de Araxá, obrigada a fornecer galões de água aos moradores do Alto Paulista no Barreiro desde dezembro do ano passado, cancelou o envio de água mineral, alegando alto custo, e passou a entregar água potável vinda da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Segundo os moradores, a água chega ao Barreiro sem lacre e os vasilhames, que são reaproveitados, não passam por um processo de higienização. Com medo de uma possível contaminação, a maioria deles sequer recebe os galões e pedem a volta da água mineral. A prefeitura admite que pretende conter gastos, mas se defende das acusações a respeito da contaminação da água.

A medida cautelar do Ministério Publico Estadual foi deferida pela juíza da 2ª Vara Cível de Araxá, Andreísa de Alvarenga Martinoli Alves, em dezembro do ano passado, devido ao índice de bário constatado na água do Barreiro.

Segundo o presidente da Associação dos Moradores do Barreiro, Gilson Baltazar dos Santos, a prefeitura está descumprindo uma ordem judicial. “A juíza determinou que se levasse água mineral e lacrada pra gente, para que não houvesse risco de contaminação. Vamos entrar com um processo na justiça contra a Prefeitura”, afirma.

A advogada Márlia Aparecida da Silva explica que já entrou em contato com o Ministério Público e que aguarda a confirmação se a prefeitura poderá fornecer água potável ou exclusivamente galões de água mineral. “A água potável resolveria o problema desde que fosse devidamente acondicionada, com os galões higienizados e lacrados, o que não está acontecendo”, afirma.

A água

A forma pela qual a prefeitura envasa a água e transporta até os moradores do Barreiro é desconhecida pelo gerente do Distrito Alto Paranaíba (DTAA) da Copasa, Jairo José Carneiro. “A responsabilidade da Copasa é a qualidade da água no ponto de entrega.”

De acordo com o superintendente do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA), Carlos Alberto Delfino Pereira, os funcionários da prefeitura respeitam as normas de higiene e os moradores podem ficar tranquilos quanto ao consumo da água. “Eles (funcionários) usam máscaras, luvas e tampam muito bem os galões. Além disso, a água ainda contem cloro que é um bactericida”, diz.

O chefe de departamento da Controladoria da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano, Luciano Pires, diz que a intenção da prefeitura é de diminuir os custos com a aquisição da água. “A água mineral onerava bastante o município”. Segundo ele, a administração municipal não pretende prejudicar nenhum morador e, caso haja problema quanto a esvaziar e encher os galões, providências serão tomadas.

Moradores

A dona-de-casa Iva da Silva diz que não aceita receber os galões da forma em que estão sendo enviados. “Começaram a nos enviaram uma água mineral que vinha ´lacradinha´, agora está vindo uma água que a gente não sabe a procedência, o fundo do garrafão vem sujo. Como que nós vamos beber? Nós preferimos devolver”, destaca. Ela afirma que passou a comprar água mineral para tomar e fazer comida.

O galão de água mineral custa, em média R$ 5, mas, segundo os moradores, há empresas que cobram de R$ 1,50 a R$ 5 por galão enviado. De acordo com Iva, se permanecer como está, ela poderá gastar até R$ 300 por mês.

O motorista e morador do Barreiro, Emerson Ricardo, diz que a água está chegando sem higiene nenhuma. “Eles (prefeitura) enchem os garrafões de qualquer forma e nós não queremos que as coisas fiquem desse jeito. A água não tem lacre e chega só com uma ´tampinha´”, reclama.

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