Produtores são contra doação de área de preservação especial para indígenas

Produtores são contra doação de área de preservação especial para indígenas

Da Redação/Jorge Mourão – O Fórum Comunitário da Câmara Municipal recebeu, nesta segunda-feira (25), a diretoria e filiados do Sindicato dos Produtores Rurais de Araxá para um debate sobre o projeto de lei do Executivo que tramita na Casa sobre a doação de uma área de 300 mil m² à Associação de Desenvolvimento e Intercâmbio Cultural Indígena da Região de Araxá (Andaia).

A área foi adquirida pela prefeitura em 2009 através de decreto, com a finalidade de se implantar um campo de futebol, um parque de exposições, fábricas de ração e de reciclagem, além da construção de um local para a armazenagem de grãos, mas, por ser de preservação especial, parte dela recebeu atividade de cunho ambiental como a implantação da Fazenda Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Feax/Epamig) e a outra parte está sendo proposta para abrigar as atividades da Andaia.

De autoria do vereador José Maria Lemos Júnior (Juninho/DEM), o encontro teve o objetivo de ouvir a opinião da classe rural quanto à doação da área, situada nas imediações do Córrego Feio (uma das principais fontes de abastecimento de água da cidade).

“Boa parte dos produtores de Araxá tem suas propriedades próximas desse local que está sendo proposto para a comunidade indígena. Como não foram procurados pela prefeitura, pedi para que se realizasse um Fórum Comunitário para que a classe fosse ouvida”, afirma Juninho.

O sindicato expôs durante a reunião que encaminhou um ofício em janeiro à Prefeitura de Araxá, com abaixo-assinado de 60 produtores, solicitando uma audiência pública para debater o assunto, mas, no entanto, até o momento não foi respondido. “Nem sabíamos que esse projeto de doação da área estava tramitando na Câmara”, afirma o presidente do sindicato, Alberto Adhemar do Valle Júnior (Junão).

Por ser um local de preservação especial e, segundo os produtores, impróprio e de difícil acesso para as atividades da Andaia, principalmente em relação ao fomento do turismo, a maioria não concorda com a doação, propondo até um local que fosse mais próximo da comunidade e dos turistas.

“Não temos nada contra os índios, inclusive o nome da nossa cidade faz alusão aos índios Arachás, mas essa questão deve ser melhor discutida entre todas as partes. A classe rural até hoje não foi procurada pela prefeitura”, diz Junão.

Membros da Andaia acompanharam a reunião e o cacique Carcará-Urú (Edson Adolfo) fez o uso da palavra ao final do debate explicando a intenção de se fazer na área proposta é o resgate da história da comunidade indígena, além de ser um atrativo turístico a mais para Araxá.

“Não podemos deixar a história de nossos antepassados morrer. Só queremos resgatar nossos valores, não acho que a área seja imprópria para isso, inclusive queremos preservar o local, o meio ambiente, até para que possamos garantir o bem-estar da comunidade de Araxá no futuro, o futuro de nossos filhos. Não vamos interferir em nada na atividade dos produtores rurais, queremos somar”, afirma o cacique.

Ao final do Fórum Comunitário, o vereador-presidente da Câmara, Carlos Roberto Rosa, nomeou uma comissão formada pelos vereadores Juninho, Mateus Vaz de Resende (DEM), Márcio de Paula (líder do governo/PR), César Romero da Silva (Garrado/PR) e Marco Antonio Rios (PSDB) para intermediar o debate entre as partes com a Prefeitura de Araxá.

“O importante é chegarmos a um consenso para nortear o voto do vereador em relação a esse projeto.”

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