Super banner
Super banner

Secretaria de Agricultura propõe revisão de normas para queijo artesanal

Uma das conseqüências da ascensão do queijo Minas Artesanal ao status de Patrimônio Cultural do Brasil será o aumento do consumo do produto, que atualmente é da ordem de quatro quilos anuais per capita no Estado, e de três quilos anuais per capita no país. A previsão é da assessora da Superintendência de Segurança Alimentar e Apoio à Agricultura Familiar (Susaf) da Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, Luciana Rapini.

“Para tirar proveito do novo momento do queijo, a cadeia produtiva deve se organizar”, recomenda Luciana. “Em primeiro lugar, é preciso cumprir as normas federais de fornecimento do queijo para os entrepostos que operam com o Selo de Inspeção Federal (SIF)”.

Os entrepostos são unidades fiscalizadas pelo governo federal para fazer cumprir a etapa de preparação ou maturação do queijo antes de o produto ser encaminhado para outros Estados. “As queijarias sempre entregarão queijos de qualidade ao entreposto se obedecerem às normas federais de fabricação”, enfatiza a assessora. “Entre as boas práticas de produção estão a observância da qualidade do leite, o correto uso da água visando à obtenção da excelência do produto, o respeito à segurança alimentar e a preservação ambiental.” Além disso, as instalações também devem proporcionar os meios de uma produção de excelência.

“As mesmas práticas devem ser obedecidas pelas queijarias para a produção do queijo destinado ao consumo dentro do Estado”, prossegue Luciana Rapini. “Esse produto tem que atingir um nível de umidade definido pela legislação estadual e que se obtém com o mínimo de 14 dias de maturação, no caso dos queijos do Serro. Para os produtos da Canastra, de Araxá e do Cerrado o prazo mínimo de maturação é 21 dias.”

Segundo a assessora, as exigências para a produção do Queijo Minas Artesanal devem ser compartilhadas também pelos pecuaristas, com o rigoroso controle da saúde dos animais, além da higiene dos currais e das salas de ordenha, entre outros aspectos básicos. “Aumentou a responsabilidade de toda a cadeia pela observância dos preceitos da segurança alimentar porque agora o Queijo Minas Artesanal é patrimônio da cultura do Brasil, com projeção nacional e internacional”, destaca Luciana Rapini.

Harmonização das exigências

O coordenador do Programa de Melhoria da Qualidade dos Queijos Artesanais pela Emater-MG junto à Secretaria da Agricultura, Elmer Ferreira Luiz de Almeida, reforça a necessidade de ações integradas dos governos estadual e federal para harmonizar as normas de produção e comercialização.

Segundo Ferreira, a Resolução nº 7 de 2000, do Ministério da Agricultura, diz que o período de maturação do queijo nos entrepostos deve ser de 60 dias, e nos casos em que esse prazo não for cumprido, o produto não poderá sair do Estado. “No entanto, pesquisas recentes mostram que três semanas seriam suficientes para a maturação do queijo de acordo com as normas de segurança alimentar”, afirma o coordenador.

“O queijo maturado em 60 dias perde peso e endurece, portanto sua qualidade cai e ele não atende mais à degustação, passando a ser indicado para outros usos culinários”, acrescenta o coordenador. “Os consumidores mais exigentes fazem restrição ao produto maturado conforme a legislação atual também porque ele perde a cor, que se mantém apenas até o vigésimo dia do processo”, explica. “A redução do prazo de maturação evitará esses problemas sem comprometer a segurança alimentar”.

De acordo com Ferreira, o objetivo é assegurar aos consumidores de todo o país a oferta de um queijo de leite cru plenamente degustável. “O produto deve ser servido em pequenas fatias, puro ou acompanhado de bebidas ou doces, possibilitando a identificação do sabor característico de cada região”, orienta.

Ação do IMA

Para garantir a obediência às normas de produção do queijo artesanal no Estado, a Secretaria da Agricultura, por intermédio do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), cadastra as queijarias. “Fazemos esse serviço com rigor”, informa o gerente de Certificação do instituto, Marco Antônio Vale. Ele informa que são cadastradas apenas as propriedades que comprovem estar em conformidade com as normas. “Portanto, o cadastro é a prova de certificação. O produto certificado tem a identificação do fabricante, origem e data de fabricação, possibilitando a comercialização sem restrições dentro do Estado. Cabe ao Ministério da Agricultura a fiscalização da produção do queijo e também dos entrepostos com o selo da inspeção federal para possibilitar a saída do produto para outros Estados.”

Quatro pólos

Segundo Elmer Ferreira, o queijo artesanal à base de leite cru é produzido em quatro pólos de Minas Gerais: na região do Cerrado (Alto Paranaíba), há cerca de 5.600 produtores, que colocam no mercado 14 mil toneladas do produto por ano; na Canastra, região Sudoeste, 1.500 produtores vendem cerca de 6 mil toneladas por ano; no Serro, região Leste, há 900 produtores e a produção é de 3,1 mil toneladas por ano; em Araxá, no Alto Paranaíba, 950 produtores colocam anualmente cerca de 2,7 mil toneladas do Queijo Minas Artesanal.

Notícias relacionadas