Secretaria de Saúde quer cortar ???um por fora??? dos médicos

Secretaria de Saúde quer cortar ???um por fora??? dos médicos

Uma declaração do secretário municipal de Saúde, Antônio Marcos Belo, confirmada pelo prefeito Jeová Moreira da Costa, levanta uma nova questão na saúde pública de Araxá. Ele afirma que recebe até três denúncias por mês de médicos que atendem na rede municipal e negociam procedimentos (já pagos pela prefeitura) para ganhar “um por fora” do paciente. Procurada pelo Diário de Araxá, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Araxá diz desconhecer o assunto e acha pouco provável que isso aconteça, mesmo com os baixos salários pagos pela poder público.

 “Estamos tendo sérias reclamações de alguns médicos que não querem atender pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e querem receber por fora como era a cultura anterior e isso não queremos mais”, diz Antônio Belo.

Segundo ele, a cobrança é indevida e o paciente que procurar por atendimentos no SUS deve ter o serviço gratuitamente e não pode ser cobrado por um médico que atua na rede pública.

“No último sábado (8), eu estava em uma festa junina no bairro Padre Alaor e uma senhora me disse que sua filha está grávida e preste a ganhar o bebê, mas o médico pediu R$ 1,5 mil para realizar a cirurgia (parto) e ela não tem dinheiro. Eu recebo até três denúncias de casos como este por mês. Tem médico que está recebendo pelo serviço e força a barra para receber um pouco mais”, conta o secretário.

“Na Santa Casa, o SUS é bem atendido, os médicos trabalham bem, mas nos consultórios da rede municipal, em acompanhamentos de pré-natal, os médicos já encaminham para que a pessoa pague ele pelo serviço. Ele como profissional, defende o interesse dele, mas dentro da rede municipal nós somos SUS e isso não pode ser feito. Como uma pessoa que ganha R$ 600 por mês vai pagar por uma cirurgia de R$ 1,5 mil. Hoje, cerca de 60 mil pessoas em Araxá dependem do SUS e temos que oferecer um serviço de qualidade para elas”, acrescenta.

Ouça a entrevista com Antônio Belo

Prefeito

Segundo o prefeito Jeová, que é médico, o fato realmente acontece. “Isso existe, até o (José) Serra, governador do Estado de São Paulo e enquanto ministro da Saúde, detectou isso em toda a rede brasileira. É um hábito que a classe médica tinha porque, como o poder público estava pagando mal, eles faziam uma negociação com o cliente, o que nós chamamos de pagamento por fora”, diz.

O prefeito afirma que continua chamando a classe médica para negociar. “Por isso que nós estamos trabalhando dentro de uma tabela de produtividade, pagando dois terços da tabela da CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos), que é a tabela oficial da classe médica. Estamos tendo esse respeito pela classe, porque a gente é médico, falamos de forma muito tranquila e muito transparente, porque estamos desenhando para Araxá esse limite do poder público pagar e o médico trabalhar, buscando uma coisa que seja justa para os dois lados”, diz.

Sociedade de Medicina

A reportagem do Diário de Araxá entrou em contato com a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Araxá, que referiu ser este fato improvável, mesmo com os baixos salários praticados pela prefeitura, e também desconhecido por qualquer médico.

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