Taxa de crescimento populacional de MG aponta retração

Taxa de crescimento populacional de MG aponta retração

O Centro de Estudos de Políticas Públicas da Fundação João Pinheiro (FJP) divulgou, nesta semana, uma síntese dos resultados do Censo Demográfico de 2010 para a população total de Minas Gerais. Ao detectar uma queda significativa no crescimento anual da população do Estado, o resultado surpreendeu todas as expectativas em relação a projeções e à própria contagem de população anterior, realizada em 2007.

O Censo Demográfico foi realizado em todo o país pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado. Ao serem analisados os resultados para o recorte estadual, verificou-se que, entre 2000 e 2010, a taxa anual de crescimento da população mineira ficou em torno de 0,91%, número bem menor que o 1,5% verificado nas últimas décadas. O número significa uma queda de participação da população do Estado de 11% para 10% no total do país.

Em todo o Brasil, somente quatro Estados tiveram taxa de crescimento populacional menor que a de Minas Gerais: Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Paraíba.

Taxa de fecundidade

De acordo com o estudo, a retração do crescimento populacional está diretamente relacionada ao nível da queda na taxa de fecundidade do Estado. Estima-se que a fecundidade total de Minas Gerais esteja em torno de 1,80 filho/mulher em idade reprodutiva. O número é menor que o nível de reposição, que é 2,1 filhos/mulher em idade reprodutiva. A conclusão é confirmada ao se avaliar a pirâmide etária do Estado, que vem apresentando uma base cada vez mais estreita.

“No passado, as taxas de crescimento, sempre baixas, estavam relacionadas a saldos migratórios negativos: Minas era um estado que expulsava mais população do que recebia. A partir da década de 1990, esses saldos tornaram-se mais equilibrados e levemente positivos”, explica o pesquisador da FJP, Olinto Nogueira.

No Censo de 2010, a participação da faixa etária de zero a quatro anos no total da população caiu de 9% para 6,5%, enquanto a participação da população de 65 anos e mais chegou a 8,2%. No Censo anterior, essa taxa correspondia a 6,2%.

“A principal consequência é o envelhecimento da população, não como efeito direto dos ganhos em esperança de vida, mas do aumento de participação da população de 65 anos e mais em detrimento da queda de participação da faixa etária de zero a quatro anos”, avalia Nogueira.

Segundo o pesquisador, esses indicadores apontam para o fato de que o Minas Gerais estaria atingindo a “transição demográfica plena”, ou seja, uma situação de baixas taxas de natalidade e mortalidade.

“Esses resultados são importantíssimos para que o Estado possa fazer seu planejamento socioeconômico e corrigir o curso das políticas públicas a longo prazo, adequando suas prioridades para o eixo de saúde de adultos e idosos/previdência social/assistência social e emprego”, explica Nogueira.

Municípios

Reforçando a hipótese de que o Minas estaria atingindo uma a “transição demográfica plena”, a análise dos dados do Censo Demográfico de 2010 mostra, ainda, que 85,3% da população do Estado são urbanos, sendo que, em 80% dos municípios, a população rural decresceu em relação ao estudo anterior.

Dos cinco municípios que apresentaram as maiores taxas negativas de crescimento da população rural, todas acima de -10%, quatro pertencem à Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Três desses municípios – Belo Horizonte, Confins e Vespasiano – já não têm populações consideradas rurais.

Além deles, as cidades de São Lourenço e Santa Cruz de Minas também não apresentam população rural. “A explicação é que esses municípios estão entre os menores do Estado em extensão territorial”, afirma Nogueira.

Por outro lado, dos dez municípios com maiores taxas de crescimento da população rural, quatro também pertencem à RMBH – Conselheiro Lafaiete, São Joaquim de Bicas, Caetanópolis e Ribeirão das Neves. “Contudo, enquanto as taxas negativas da população rural da RMBH representaram, em termos absolutos, uma perda de mais ou menos 25 mil pessoas na década, os municípios com taxa positiva representaram acréscimo de cerca de 10 mil pessoas”, observa o pesquisador da FJP.

“Para o Estado como um todo, esse mesmo raciocínio fez com que as taxas negativas representassem a perda de 736 mil pessoas no setor rural, montante maior que a população total de qualquer dos municípios mineiros, a exceção de Belo Horizonte. Nessa mesma linha, as taxas positivas tiveram um ganho em torno de 63 mil pessoas”, conclui Nogueira.

Nova Serrana foi o município que mais cresceu em Minas Gerais. A taxa de crescimento de 7% ao ano fez com que sua população total passasse de 37,5 mil pessoas, no ano 2000, para 73,7 mil, em 2010. Esse crescimento foi relevante tanto em termo urbano (9ª maior taxa do estado), como rural (2ª maior taxa de Minas Gerais).

Com Agência Minas

Notícias relacionadas