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Um abraço para não deixar a Árvore dos Enforcados morrer

Um abraço para não deixar a Árvore dos Enforcados morrer

Um abraço na bicentenária Árvore dos Enforcados alerta sobre a situação crítica que ela vem passando nos últimos anos. A manifestação promovida pelo Centro de Referência da Cultura Negra na noite de ontem (21) – Dia da Árvore – contou com a participação da comunidade e representantes de entidades afrodescendentes, espíritas e indígenas.

 “Se não houver uma atitude imediata dentro de no máximo dois anos ela morrerá, já perdeu 70% de sua vitalidade. Este alerta vem sendo feito há mais de 18 anos de que a Árvore dos Enforcados precisava de cuidados especiais”, diz o paisagista André Luiz Honorato.

Segundo ele, a estrutura de concreto feita ao redor da árvore abafa o sistema radicular – indispensável para a obtenção de água e nutrientes do solo – por causa da grande quantidade de entulho que está por baixo.

“Na época, fizemos uma limpeza em volta, um tratamento curativo e colocamos uma terra muito fértil e ela aguentou até agora. Parece que o poder público já está cogitando fazer uma ação imediata e vamos tentar ressuscitá-la”, afirma André.

Além da estrutura de concreto que comprometem as raízes, André afirma que podas inadequadas provocaram lesões nos galhos da Árvore dos Enforcados. “Elas facilitaram a entrada de brocas (tipo de inseto) e provocaram essas lesões. Árvore de óleo (pau-de-óleo) não foi feita para poda, mas quando há necessidade precisa de um tratamento curativo muito grande, o que não foi feito.”

“Além disso, a população precisa colaborar para que consigamos manter a árvore viva, quem sabe, por mais 50 anos. Infelizmente, ela não irá viver o tempo que é de costume, ou seja, 500 anos.”

O presidente do Centro de Referência da Cultura Negra, Clayton Aires da Silva, diz que em outubro próximo a prefeitura já deve colocar em prática o projeto para preservar a Árvore dos Enforcados, tombada em 7 de outubro de 1998 pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac).

“Ela é um patrimônio histórico nosso, faz parte de uma história triste porque dois negros foram enforcados nela, mas mesmo assim o abraço é um símbolo para que ela seja preservada. Esperamos que no mês que vem o André já inicie essa recuperação e que ela possa viver por muitos anos, sendo conhecida por nossos filhos, netos e bisnetos.”

Árvore dos Enforcados

No alto de um morro na rua Gustavo Martins de Oliveira, bairro Santa Rita, está o pau-de-óleo, que evoca uma triste lenda. Certa vez, dois irmãos, escravos, cansados de serem brutalmente tratados pelo proprietário, assassinaram-no. O crime foi descoberto e os irmãos foram levados a julgamento.

Segundo o veredicto de um júri popular, esse julgamento terminou com a sentença de enforcamento para os dois condenados. E foi nessa árvore que os dois irmãos foram enforcados.

Após esse fato, conta-se, em Araxá, que nas frias noites de ventania pode-se escutar os tristes gemidos dos enforcados. Desse local, se tem uma ótima vista da cidade.

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