Uniaraxá festeja nova constituição da FCA

Uniaraxá festeja nova constituição da FCA

Da Redação/Jorge Mourão – A grande maioria da comunidade acadêmica do Centro Universitário do Planalto de Araxá (Uniaraxá) comemora a decisão do prefeito Jeová Moreira da Costa em entregar a gestão da Fundação Cultural de Araxá (FCA) para representantes de segmentos da sociedad, o que originou a destituição do conselho diretor nomeado no início de seu governo. Durante o intervalo do período noturno desta segunda-feira (28), professores, alunos e funcionários se reuniram em uma das cantinas do centro universitário (ao lado do Centro Olímpico) para festejar um futuro que promete ser bastante promissor, sem vínculos políticos, como acontecia há 38 anos desde a instituição da FCA por lei municipal.

O trabalho da promotora de Justiça de Fundações, Mara Lúcia Silva Dourado, em dar uma destinação jurídica de natureza única à entidade foi bastante destacado durante os discursos do reitor Válter Gomes e do presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) do Uniaraxá, Marcelo Luiz Alves.

Ainda entrevista à imprensa após a audiência em que o prefeito abriu mão da entidade, a promotora considerou que a decisão de Jeová vai contribuir para uma grande melhoria no ensino superior do Uniaraxá.

“Se a gente considerar que o clima dentro do centro universitário estava muito ruim, principalmente nos últimos meses com vários conflitos entre a mantenedora e a mantida, eu acho, primeiramente, que essa decisão vai trazer uma tranquilidade aos municípios mantêm relacionamento com o centro universitário, além de um conselho composto por segmentos da sociedade. Tudo isso vai contribuir para um engrandecimento da instituição, pelo fortalecimento do nome dela e, consequentemente, para uma melhoria no ensino que está sendo ofertado”, destacou Mara.

E as palavras da promotora foram multiplicadas pela comunidade acadêmica durante o intervalo comemorativo.

Para o coordenador do curso de Agronomia e delegado regional do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro), José Carlos da Silva, o feito foi uma grande vitória para a educação. “Um marco de uma história que está perto de completar 40 anos para toda a comunidade de Araxá. Nós vencemos, os alunos venceram, os professores venceram, a educação venceu, e quem ganhou com isso foi a comunidade. Isso tudo representa muito na vida de todos nós”, diz o professor.

“Vencemos uma batalha que tem tido muitos problemas, como todas as instituições que têm as suas ações. Com isso, garantimos uma qualidade de ensino às pessoas. Outro fato positivo é que os alunos estão juntos, os professores estão juntos, fato que nunca havia acontecido na instituição”, acrescenta José Carlos.

Para o professor e pró-reitor de Planejamento e Administração, Naldo Ferreira Alves, o acontecimento representa uma nova fase. “Vamos virar a página de um momento difícil que nós passamos. Vamos tocar e fazer o nosso trabalho em prol da educação, isso é o mais importante para nós, estamos nos libertando. Tínhamos esse entrave que era a escolha do conselho diretor da fundação e do conselho fiscal através do prefeito. Mas acreditamos que a parceria com o Ministério Público continua. A gente vinha desenvolvendo projetos, estamos livres dessa amarra da escolha política do conselho diretor, eu acho que isso é o mais importante. Agora vem um sentimento de libertação de uma pressão e de um problema que vinha se arrastando há muito tempo” ressalta.

O presidente do DCE do Uniaraxá, Marcelo Luiz  Alves, afirma que a justiça foi feita. “Acredito que a repressão que estávamos sofrendo pode ter tido um ponto final. Mais uma vez, nós, estudantes, como a exemplo de outras manifestações como as Diretas Já, Caras Pintadas, mostramos que temos a nossa força. Com esse novo conselho, acredito que o DCE vai ser realmente ouvido”, diz.

Em um ponderado discurso, o reitor Válter Gomes destacou que no ambiente acadêmico deve-se respeitar todas as religiões (em desabafo à suposta interferência religiosa do ex-presidente da FCA).

“Não podemos atacar ninguém. Muitas vezes quando a pessoa fala uma coisa, ela tem a razão dela e pensa que está certa. No íntimo, ela acha que está agindo de forma correta, mas estamos em uma instituição de ensino superior, onde prevalece a pluralidade de ideias, não pode focar só em um segmento. A instituição tem como característica para que as pessoas tenham pensamentos divergentes, e que depois possam se unir, convergir, para melhor. Você não pode bitolar as pessoas só por uma determinada questão. Eu tenho que cultivar o respeito a todas as opiniões”, diz.

“Fiquei muito feliz na hora que eu vi os professores se manifestando, os alunos de manifestando, e até um professor ou outro, um aluno ou outro, se manifestando contra. É claro, é o direito deles, isso é muito bom, isso é muito importante”, acrescenta.

Para o reitor, o clima no âmbito universitário voltou a ficar bom. “Tivemos nos últimos dias algumas ameaças, algumas pessoas estavam chateadas, com medo de perderem o emprego, então muitos vieram me procurar achando que o ambiente estava muito triste. Hoje percebemos que está todo mundo feliz, satisfeito, todo mundo unido, no final prevaleceu a razão. Na minha opinião, a justiça prevaleceu, com certeza”, afirma o reitor.

Em relação a José Gino, diz Válter: “Na minha percepção fica um relacionamento normal como cidadão araxaense. Eu o cumprimentei na saída da audiência, claro que sempre quando eu encontrar com ele eu vou cumprimentá-lo, tenho que respeitar a decisão dele. Sem nenhuma dúvida, nesses dois anos (últimos anos de gestão da FCA) eu aprendi muito, mesmo que eu não concordasse com muita coisa que era feita pelo conselho, mas eu aprendi a lidar com isso. Foi muito importante para mim, para o meu crescimento.”

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