Casos de prostituição infantil em Araxá são preocupantes, aponta CMDCA

Casos de prostituição infantil em Araxá são preocupantes, aponta CMDCA

Crianças e adolescentes vendem seu corpo nas ruas, em postos de gasolina, bares, restaurantes, praças públicas e até mesmo em hotéis. A prática não se restringe apenas às noites, em plena luz do dia é possível identificar alguns casos. A prostituição infantil não é um problema apenas das grandes cidades.

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) já começa a demonstrar preocupação com a prostituição sexual de jovens em Araxá. São cerca de 50 atendimentos mensais referentes ao abuso e violência sexual contra crianças e adolescentes, grande parte relacionados à prostituição.

Campanhas de orientação e conscientização sobre a prática de prostituição sexual de crianças, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, com reclusão de 4 a 10 anos, já são desenvolvidas em alguns pontos da cidade, mas o trabalho deve ser intensificado.

A prostituição infantil é um mal presente em todas as partes do país e pode acontecer de diversas maneiras. Há casos em que a criança ou adolescente se prostitui nas ruas em busca de dinheiro e, posteriormente, tornam-se escravos do sexo para comer, se vestir e, principalmente, se drogar. Normalmente são aliciados, mas há casos de menores que encontram “um ponto” e ali permanecem para vender seu corpo.

Há outras situações em que um conhecido ou parente usa uma criança ou adolescente a fim de promover seu prazer. Crianças agressivas com a família, com dores na genitália, com lesões e/ou sêmen no ânus ou na vagina, com preocupações precoces relacionadas ao sexo, com inflamações e hemorragias devem ser examinadas, pois estes são sintomas que estão sendo ou que foram sexualmente abusadas.

O presidente do CMDCA, Anderson Alves da Costa, diz que um ponto de prostiuição infantil é no cruzamento da avenida Amazonas com a avenida João Paulo II.

“Temos muitos casos de prostituição infantil em Araxá, inclusive estamos tentando mobilizar o sistema de transporte como um todo. Existem denúncias em postos de gasolina, empresas de mototáxi ligadas a esta questão, praças públicas e até mesmo hotéis. Queremos mobilizar toda a comunidade araxaense para essa luta contra a prostituição sexual de crianças e adolescentes. Araxá está despontando como polo turístico e queremos nos antecipar a essa ascensão que acaba gerando organizações de prostituição infantil.”

De acordo com ele, a grande dificuldade de acabar com a prostituição infantil é autuar em flagrante as pessoas envolvidas. “Acontecem algumas questões um pouco veladas. Para autuar, identificar, tem que haver o flagrante e, quando as denúncias acontecem, o cenário já está desconstruído. Isso dificulta muito o nosso trabalho”, afirma.

“Temos outro fator que é a localização, nossa cidade é rodeada por rodovias, o que complica ainda mais nosso trabalho. Temos um trabalho com a Polícia Rodoviária de conscientização dos caminhoneiros. Na verdade, a prostituição infantil é um assunto bastante complexo, mas que precisa ser desconstruída por nós, agentes e atores que atuam na defesa e promoção dos direitos da criança e do adolescente”, destaca Anderson.

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