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Diretor-geral destaca trajetória de sucesso e desafios superados pela CBMM

Diretor-geral destaca trajetória de sucesso e desafios superados pela CBMM

Parque industrial da CBMM; Tadeu Carneiro - Divulgação

A trajetória de sucesso e os desafios superados pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), com sede em Araxá, desde sua fundação, em 1953, até se tornar a atual líder mundial na produção de nióbio, foram apresentados, em setembro, durante reunião da Diretoria Executiva da Fiemg, em Belo Horizonte. Quem conduziu a palestra foi o diretor-geral da CBMM, Tadeu Carneiro, engenheiro metalúrgico nascido em São José do Rio Preto (SP), mas araxaense por convicção e paixão.

Mais que apresentar números comprovando a solidez financeira e a reconhecida capacidade técnico-comercial da empresa, Carneiro impressionou a seleta plateia – formada em sua maioria por políticos e empresários – ao mostrar uma face mais humana e solidária da mineração, realmente comprometida com o futuro e consciente de sua responsabilidade ambiental e social.

Uma verdadeira lição de simplicidade e de reverência às riquezas que brotam do nosso solo, em contraponto à arrogância que, infelizmente, ainda impera em muitas mineradoras Brasil afora. “Se a comunidade não se orgulha de ter a sua empresa como parte dela, de nada adianta obter qualquer licença para operar.” – confirmou o empresário. É o que você confere aqui, com os melhores recados de sua palestra:

Legitimidade tecnológica

“Temos orgulho do que vem sendo feito em Araxá e vamos apresentar aqui parte da nossa história e trajetória, mostrando como criamos o nosso Programa Global em Desenvolvimento Tecnológico. Há 40 anos, o nióbio era apenas uma possibilidade teórica, um sonho de laboratório. Partimos do sonho de um grupo de garotos da universidade, ao descobrir que podiam mudar as propriedades da liga metálica do aço, usando apenas gramas de nióbio por tonelada”.

“Desde então, demos início ao desenvolvimento do processo para aproveitamento econômico do nióbio, com sua aplicação em diferentes segmentos da indústria, de gasodutos a carros, de grandes estruturas metálicas a turbinas. Um grande esforço de legitimidade tecnológica para mostrar oportunidades de agregação de valor em toda a cadeia de suprimento”.

“Levamos anos para conseguir concentrar o nióbio na mina de Araxá e obter um produto final. Mas, sem dúvida, nosso maior desafio foi o desenvolvimento de mercado. Não existia mercado para o nióbio, tivemos de criá-lo. Abrir portas e mostrar a viabilidade de sua aplicação”.

Valores e liderança

“Ter uma mina rica, com uma quantidade invejável de nióbio como a nossa, não é tudo. É apenas o começo. Tivemos de aprender a trilhar o nosso próprio caminho e fizemos isso com base num programa sério, de longo prazo, ancorado em valores sólidos. Além do investimento contínuo em tecnologia de aplicação do nióbio e de melhoria da eficiência em nossos processos, também investimos maciçamente em programas sociais e ambientais”.

“Hoje, o termo sustentabilidade ganhou destaque e está em alta, mas a CBMM tem a sustentabilidade como parte da sua essência; nascemos sustentáveis. Somos líderes de mercado: 85% do nióbio que o mundo consome sai de Araxá. Temos o compromisso de continuar explorando da melhor maneira possível, e melhor do que ninguém, o nióbio que a sociedade nos concedeu o direito de minerar. Essa é uma dádiva, não uma possessão. Essa é a nossa filosofia”.

Pilares de sustentabilidade

“Minerar com essa visão e consciência é essencial. É preciso fazer direito, ter o olhar voltado para o meio ambiente e para a conservação do rico patrimônio natural que nos cerca. Fazer direito também é ter o olhar e as ações da empresa voltados para o seu quadro funcional e para a comunidade, considerando-os parceiros fundamentais”.

“Se a comunidade não se orgulha de ter a sua empresa como parte dela, de nada adianta obter qualquer licença para operar. Por isso, temos orgulho de ser araxaenses, de ter a cidade e toda a comunidade como parceiras nesse programa, em nossa caminhada”.

Colaboradores valorizados

“Se temos como desafio ir até o cliente final e comprovar nossa capacidade técnica para desenvolver soluções de alta tecnologia, é natural esperar que nossos funcionários estejam bem treinados, atualizados e sejam capazes de executar seu trabalho com segurança e produtividade. Essa cultura tem de ser criada na empresa, e não se consolida da noite para o dia. Requer compromisso e investimento. Tem de estar no sangue, fazer parte do dia a dia de cada funcionário”.

“O menor salário na CBMM corresponde a quatro salários mínimos, sem contar a participação nos lucros que a empresa paga. Nosso programa habitacional objetiva beneficiar 100% dos nossos colaboradores, que também contam com subsídio para a educação dos filhos, desde a pré-escola até a universidade. Eles têm a garantia de que poderão dar aos filhos uma oportunidade que, em muitos casos, não tiveram. Contam, ainda, com outros benefícios, como plano de saúde e de aposentadoria privada”.

“Não vemos esse investimento como gasto. A empresa ganha muito mais. Nossa rotatividade é menor que 1% e quase ninguém falta ao trabalho. Um funcionário que sabe que o filho está na escola, que não tem problema com moradia e conta com assistência à saúde pode se concentrar inteiramente no que faz. Esse é o mais robusto programa de segurança que uma empresa pode ter, pois evita distrações, preocupações e acidentes de trabalho”.

“E mais: podemos treinar e qualificar nossos funcionários da maneira mais intensa possível, porque sabemos que eles vão permanecer conosco. É assim que se cria uma cultura de qualidade, de segurança e de produtividade. A CBMM tem aproximadamente 1.800 colaboradores e leva essa filosofia de atuação muito a sério”.

Parceria e respeito

“Do alto da nossa mina a vista que se tem é do Grande Hotel de Araxá. Esse é o nosso melhor cartão de visitas, e motivo de grande responsabilidade. Quando a mineração foi iniciada, o hotel já estava lá, foi construído em 1943. Essa proximidade tinha tudo para ser conflituosa, mas, felizmente, não é. Temos uma relação de parceria e respeito com a cidade. Temos consciência de que não há margem para erro”.

“Nossas reservas de nióbio se concentram num anel de quartzito que tem 4,5 quilômetros de diâmetro: é como se fosse um cilindro penetrando o centro da terra. A exploração é feita em parceria com a Codemig, resultado de um contrato assinado nos anos 1970, com vigência de 60 anos. A vida útil das nossas jazidas, considerando o ritmo atual de consumo de nióbio, é estimada em mais de 150 anos”.

“Hoje, produzimos, em média, 70 mil toneladas de ferro nióbio/ano. Ao contrário do que muitos pensam, não é uma commodity, um minério que simplesmente explorado e exportado. Comercializamos uma solução tecnológica, um produto final que levou anos para ser desenvolvido. Agrega valor e eficiência à cadeia produtiva, gera empregos e benefícios que ficam aqui, em Minas. Isso é motivo de satisfação para todos nós”.

Comunidade é atendida

“Não há como desenvolver um programa de mineração de longo prazo sem o aval da comunidade. Em muitos casos, o que se tem é uma dor de cabeça de longo prazo. Felizmente, temos uma relação ímpar de diálogo e de cooperação com a comunidade de Araxá, resultado de parcerias e de intenso trabalho conjunto”.

“Atraímos empresas e ajudamos a consolidar um parque industrial em Araxá. Algumas começaram fazendo pequenas usinagens para a CBMM e hoje montam fornos elétricos para multinacionais que fabricam equipamentos no Brasil. Em 2011, 20% dos nossos gastos foram com produtos e serviços locais”.

“Mais de 70% da receita da Prefeitura de Araxá vem de impostos repassados pelo nosso negócio. Como resultado, a cidade tem um dos melhores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil. Além disso, investimos cerca de R$ 6 milhões/ano em projetos escolhidos pela comunidade. O mais recente é a construção de um anfiteatro, como parte das obras de revitalização do Centro de Araxá”.

Exemplo ambiental

“A CBMM foi a primeira empresa no mundo a receber a certificação ISO 14000. A norma foi publicada no final de 1996 e levamos menos de seis meses para nos certificar. Esse é um marco do nosso trabalho, uma conquista que não se deu na Austrália, nos Estados ou Alemanha, mas aqui mesmo, em Minas, em Araxá”.

“Hoje, recirculamos 95% da água industrial e a expectativa é chegarmos a 97% nos próximos dois anos. O processo de concentração do nióbio é como uma grande máquina de lavar terra e minério, são 750 toneladas a cada hora”.

“A qualidade do ar em nossa fábrica é cinco vezes melhor do que a requerida pela legislação, e a quantidade de emissões, oito vezes inferior ao limite legal, graças ao investimento em filtros, procedimentos e técnicas para evitar o acúmulo de particulados”.

“Atualmente, temos 50% mais vegetação na mina do que quando ela foi descoberta. E o processo de reflorestamento não de seu com o plantio de eucalipto. Fizemos um amplo inventário das espécies do Cerrado, e reflorestamos centenas de hectares com espécies nativas da região”.

“Temos, ainda, um programa de reprodução de animais em risco de extinção. Fomos os primeiros no mundo a reproduzir o lobo-guará em cativeiro. Compartilhamos o conhecimento e a experiência adquiridos nessas ações por meio da educação ambiental. Recebemos anualmente milhares de estudantes e pesquisadores que visitam nossa fábrica para conhecer como se deve tratar a natureza num ambiente industrial”.

Soluções mais verdes

“Muitos afirmam que, por definição, a mineração não pode ser sustentável, porque lida com algo que não pode ser reposto. Discordamos completamente. Digo e defendo com ênfase em todos os lugares aonde vou: o que a CBMM faz em seu processo de mineração é emprestar o átomo da natureza para tornar o planeta melhor”.

“O nióbio e as soluções que ele traz para a cadeia produtiva, a sociedade e os consumidores finais são soluções mais verdes e ecoeficientes, como por exemplo, carros mais leves, que consomem menos combustíveis, emitem menos poluentes e são mais seguros; gasodutos mais eficientes e estruturas que demandam menor quantidade de aço em sua construção”.

Desenvolvimento de mercado

“A primeira visita de uma delegação da CBMM à China ocorreu em 1978. Um ano depois, organizamos o primeiro seminário técnico. Fomos a segunda companhia do mundo a se estabelecer naquele país, depois da norte-americana AIG. Passamos mais de 20 anos desenvolvendo mercado para que os chineses comprassem o primeiro quilo de nióbio”.

“Hoje, a China é o maior consumidor de nióbio do mundo, fruto da resiliência, da persistência e da capacidade de superação de obstáculos do nosso programa. Com nossa legitimidade técnico-comercial, convencemos os chineses a mudar a especificação do aço usado para a construção de gasodutos, aumentando o percentual de nióbio em sua constituição”.

“Mas, infelizmente, ainda não conseguimos mudar essa realidade aqui no Brasil. A Petrobras ainda limita a quantidade de nióbio usada no aço, alheia à evolução tecnológica que permite a produção de um aço muito melhor, bem mais leve e resistente”.

Vitória na China

“Nossa conquista mais emblemática é a construção do gasoduto de quase sete mil quilômetros de extensão, que transporta gás do Turcomenistão à região Central da China. Parte dessa estrutura foi construída com aço contendo um quilo de nióbio por tonelada, o que permite – com o uso da mesma quantidade de aço por quilômetro – o transporte de 2,14 vezes mais gás”.

“Todo o aço usado na instalação da segunda linha de transmissão desse gasoduto foi produzido na China, com maior teor de nióbio; essa é uma conquista muito importante: tem a nossa marca, tem a digital da CBMM gravada nesse avanço”.

“Mas nada disso caiu do céu. É um desafio enorme convencer um comprador ou o pesquisador de uma empresa, distante centenas de quilômetros, visitar nossa fábrica, ver como trabalhamos e produzimos. Felizmente, temos conseguido fazer isso com cada vez mais sucesso. Em recente seminário, reunimos em Araxá 15 dos maiores fabricantes de automóveis do mundo”.

Terras-raras

“Recentemente, também anunciamos o desenvolvimento de tecnologia para a concentração de terras-raras, com o processamento dos elementos químicos nelas existentes. Uma característica interessante é que, apesar do nome, elas não são terras nem raras; existem em qualquer parte do mundo. O desafio é criar tecnologia para processá-las de forma competitiva. Seus diferentes óxidos podem ser usados para produção de lâmpadas incandescentes, catalisadores automotivos, Ipad, disk drives e carros híbridos. O rejeito da mineração do nióbio é a nossa fonte de terras-raras; não precisamos de uma mineração específica para obtê-las. Esse é um diferencial importante, inclusive do ponto de vista de redução de impacto ambiental. Vamos buscar, agora, parceiros para comercialização desses elementos. Temos uma trajetória bem-sucedida com o desenvolvimento do mercado de nióbio e esperamos replicar essa expertise com as terras-raras”.

Planeta melhor

“Há várias técnicas para tornar o aço mais resistente, mas o nióbio é o único elemento que cumpre bem essa função, de refino do grão em altas temperaturas, evitando que o aço fique quebradiço. São usados, em média, 200 gramas de nióbio por tonelada de aço. Ele é o mais eficiente refinador de grão para aços que precisam ter alta formabilidade e resistência. Numa comparação com a tradicional comida mineira, o nióbio é o tempero que dá mais qualidade ao aço”.

“Nosso desafio, portanto, é aumentar a aplicação do nióbio, em especial na fabricação de aço para a indústria automobilística. Mostrar que podemos ter carros mais leves, mais econômicos e menos poluentes. Soluções menos impactantes para o planeta, envolvendo toda a cadeia produtiva, desde os fabricantes de aço até os transportadores de materiais, numa equação mais equilibrada para todo o planeta”.

“Com o investimento de US$9 de nióbio por carro, há uma redução de 100 kg no seu peso, o que resulta na economia de um litro de combustível a cada 200 km percorridos. Isso corresponde a uma redução de 2,2 toneladas de CO2 emitida por veículo. Essa redução de emissões é maior do que a quantidade total de CO2 emitida para a produção de todo o aço do veículo”.

“É essa a conta que temos de começar fazer – e com urgência – diante da necessidade de garantir vida digna aos 7 bilhões de habitantes do planeta e, ao mesmo tempo, permitir o uso racional dos recursos naturais. O desafio de sermos mais eficientes, de aprender a fazer mais com menos é planetário. E o nióbio está aí para nos ajudar nessa transição: é a pitada que pode fazer a diferença no processo de crescimento sustentável global”.

Fique por dentro

Empresa do Grupo Moreira Salles, a CBMM extrai, processa, fabrica e comercializa produtos à base de nióbio, em parceria com a Codemig. Com subsidiárias na Europa, Ásia e América do Norte, destaca-se no segmento ambiental com o seu Arboreto, que ocupa uma área de 2,9 mil metros quadrados e abriga espécies ainda pouco estudadas e ameaçadas de extinção. São todas árvores originárias de mudas produzidas no viveiro da empresa ou transplantadas de áreas de vegetação nativa do Alto Paranaíba. Mantém, ainda, um criadouro conservacionista regulamentado pelo Ibama, o único especializado em fauna do Cerrado no Brasil e pioneiro na reprodução do lobo-guará.

Via Revista Ecológico

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