Engenheiros, arquitetos e dirigentes de futebol debatem permuta do estádio

Engenheiros, arquitetos e dirigentes de futebol debatem permuta do estádio

O Fórum Comunitário da Câmara Municipal de Araxá promoveu na tarde desta segunda-feira (23) a segunda rodada de debates sobre o projeto de lei da prefeitura que permuta a área do Estádio Municipal do Fausto Alvim com a área rural do Grupo Kamel próxima ao Riviera do Lago, setor Oeste.

Às 14h, os vereadores se reuniram com engenheiros e arquitetos do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) em Araxá, Associação de Engenheiros e Arquitetos de Araxá (Area) e do Sindicato da Indústria e da Construção Civil do Planalto de Araxá (Sinduscon), além de representantes dos conselhos municipais de Política Urbana (Compur), do Patrimônio Cultural (Compac) e de Defesa e Conservação do Meio Ambiente (Codema).

Logo depois, o debate foi com representantes do Araxá Esporte Clube e da Liga Araxaense de Desportos (LAD).

Engenheiros e arquitetos

A maioria agradou sobre a ideia de Araxá ter um shopping center, destacando a geração de emprego e desenvolvimento para a cidade. Mas o formato do projeto ficou entre os pontos mais discutidos como a falta de critério técnico das avaliações das áreas que estão anexas ao projeto de lei proposto pela prefeitura (cerca de R$ 12 milhões por três imobiliárias), a inviabilidade na construção de um novo estádio e questionamentos sobre acesso, iluminação e demais infraestruturas a serem investidas pelo poder público na área do Grupo Kamel.

“O principal questionamento do Crea é as avaliações que foram feitas, que devem ser de competência do engenheiro com subsídios das imobiliárias. A forma como elas foram encaminhadas à Câmara não está completa, nem menos o que é exigido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), até mesmo para saber os valores reais”, afirma o inspetor-chefe do Crea e presidente do Compur, Francisco Amando Afonso de Melo.

Ele também aponta que a avaliação dos cerca de 18 alqueires (860 mil m²) a serem permutados com a área central (35 mil m²) está completamente fora da realidade do mercado local e até nacional. “Dá algo em torno de R$ 700 mil o alqueire, enquanto que temos o conhecimento de que a área rural mais bem paga foi comprada pela CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) foi de cerca de R$ 100 mil o alqueire. Esse valor da outra é questionável”, acrescenta.

Para o presidente do Sinduscon, Cacildo César de Melo, a construção de um novo estádio é inviável para Araxá.

“Não há necessidade, além do prazo de execução que seria três anos (tempo restante do mandato do prefeito Jeová Moreira da Costa) que sequer tem projetos, é praticamente impossível. Isso envolve muitas empresas, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) teria que fazer um estudo do consumo de energia para ver o gasto de um empreendimento dessa magnitude, o que também poderia demorar três anos.”

O conselheiro do Crea e ex-superintendente do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA), Paulo de Souza Júnior, diz que a área do Fausto Alvim é o único espaço público que restou na área central.

“É o último espaço onde pode ser feito alguma coisa de interesse da comunidade como um palco de shows com concha acústica, uma biblioteca, uma feira de artesanato um centro cívico ou até mesmo, o próprio Espaço do Conhecimento (previsto para ser construído na área do antigo mercado municipal). Ele deve ser preservado”, diz.

“Isso não invalida a ideia de construir um novo estádio, mas não deve ser feito sobre a forma de permuta ou venda. O poder público tem condições através de outros instrumentos legais de fazer um shopping e um estádio. O próprio loteador deve reservar 20% da área para o poder público e seu eu pegar isso dos 18 alqueires da área proposta vamos ter cerca de 175 mil m², o que dá de sobra para fazer um estádio e não teria nenhum custo para o município”, acrescenta Paulo.

Conselheiro do Crea opina sobre o shopping

Representantes do futebol

Já no debate com representantes do futebol, a ideia do novo estádio é vista com bons olhos desde que seja entregue antes da demolição do Fausto Alvim. Caso a negociação seja concretizada, o presidente do Araxá Esporte Clube, Dailsom Lettieri, fala que o comodato de 20 anos do Fausto Alvim (restam 19 anos) com o clube (feito no governo Antônio Leonardo) precisa ser revisto.

“Não podemos ficar com uma mão na frente e outra atrás, como diz o ditado popular. O Araxá Esporte precisa de um campo adequado para treinar e jogar dentro das normas oficiais exigidas pela Federação Mineira de Futebol (FMF) e pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol)”, afirma.

Segundo ele, o Corpo de Bombeiro fez uma vistoria recente no Fausto Alvim e mais de 30 itens precisam ser reparados. “Seria um momento bom Araxá ter um novo estádio e estamos aqui para somar com isso.”

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