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Cefet dissemina cultura afro-brasileira com várias atividades

Cefet dissemina cultura afro-brasileira com várias atividades

A unidade de Araxá do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) iniciou as Atividades Afirmativas sobre Africanidades, nesta quarta-feira (13). O evento comemora os121 anos da abolição da escravatura no Brasil. Alunos e professores contam com debates, palestras, músicas, culinária e demais atividades até o próximo sábado (16).

“Através deste evento, o Cefet de Araxá proporciona à cultura afro-brasileira o espaço que ela merece dentro de sala de aula, cumprindo a lei 10.639/2003 que inclui no currículo escolar (ensino fundamental e médio) que os alunos estudem conteúdos referentes à história da África e dos afro-descendentes no Brasil”, destaca a coordenadora das atividades, professora Leni Nobre de Oliveira.

Ela afirma que a disseminação de diversas culturas como a história da África envolve grande participação e interesses dos alunos. “A população do Cefet é muito receptiva em relação a tudo que se propõe, saber dessa cultura e incorporá-la no dia a dia”, diz.

Dalmir Francisco

Um dos grandes destaques das Atividades Afirmativas sobre Africanidades é o palestrante Dalmir Francisco, jornalista há 30 anos e professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Intitulada como “O 13 de Maio – O Discurso e as Práticas Racistas no Brasil”, ele diz que a sua palestra é focada na cidadania é na importância de se comemorar a abolição da escravatura.

“É um momento de grande transformação neste país, porque é a transição do trabalho escravo para o trabalho livre, mas também é um momento de exclusão dos principais interessados numa cidadania que beneficiasse a todos, a exclusão dos negros e dos pobres em geral da vida política e da luta pela distribuição de bens necessários à vida”, defende Dalmir.

O jornalista diz o combate à discriminação racial no Brasil tem melhorado muito. “Hoje estamos discutindo cotas para negros e pobres nas universidades públicas, temos o ProUni (Programa Universidade para Todos) que reserva vagas para negros e pobres nas universidades particulares e temos a introdução do ensino da história dos africanos, afro-brasileiros e ameríndios (nativos do continente americano) na grade curricular dos ensinos fundamental e médio”, exemplifica o jornalista.

“Acabar com o racismo não acontece da noite para o dia. É um processo longo e que provavelmente nunca terá um fim, sempre haverá discriminação. Ninguém é obrigado a gostar do outro, mas todos são obrigados a se respeitaram mutuamente”, acrescenta.

Dalmir diz que é um grande admirador do ex-político e ativista social, Abdias do Nascimento. “É talvez o mais antigo militante na luta do movimento negro no Brasil, especificamente o movimento negro urbano, e sempre teve o compromisso de denunciar o racismo. Ele começou a sua luta na década de 30 e não parou até hoje, com 95 anos de idade. Claro que atualmente com contribuições bem pontuais, mantendo uma vida extremamente preciosa.”

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