Vereadores visitam Mosaic em busca de informações sobre barragens

Vereadores visitam Mosaic em busca de informações sobre barragens

Os vereadores Robson Magela (PRB), Raphael Rios (SD) e Fernanda Castelha (PSL) visitaram na última quinta-feira (14), a unidade da Mosaic Fertilizantes em Araxá para buscar informações sobre as barragens da empresa. A reunião foi marcada após os vereadores encaminharem ofício para a Mosaic, no fim de janeiro, solicitando um detalhamento sobre as estruturas e processos de segurança.

Além da visita à empresa, os vereadores também visitariam as barragens da Mosaic, o que não aconteceu por causa da chuva que caiu sobre a área industrial da empresa.

Os parlamentares se reuniram na sede da empresa com o gerente industrial Daniel Rajão, o gerente de EHS Tarcísio Santos, o gerente de Relações Institucionais, Luiz Maurício Pereira, a gerente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade, Aparecida Ferreira Dias, o supervisor de Geotecnia, Renato Capucho, a engenheira Rúbia Prado Borges, e a representante do Instituto Mosaic, Camila Belenzani.

De acordo com a engenheira Rúbia, a Mosaic possui oito barragens, sendo que três delas estão localizadas na Estância Hidromineral do Barreiro. Essas três barragens foram construídas na década de 1980, em solo compactado e são utilizadas para a captação da água vinda da área industrial da Mosaic em dias de chuva. Das cinco barragens existentes dentro da área da Mosaic, três são de rejeito, sendo que duas estão desativadas, e duas são de reservatório de água.

As duas barragens que contém água foram construídas em solo compactado, e as três barragens de rejeito, foram construídas no método de alteamento na linha de centro, que tem estabilidade superior à de uma barragem alteada a montante, como são as de Mariana e Brumadinho que se romperam. A empresa realizou alteamento a montante nos metros finais das três barragens de rejeitos para fazer o nivelamento delas. A nona barragem da empresa já foi construída, mas aguarda a licença de operação para receber rejeitos, o que deve acontecer no início de 2020.

A barragem B5, que está em atividade, tem 60 milhões de m³ de rejeito. As duas barragens desativadas têm 26 milhões de m³ de rejeito cada. O gerente industrial Daniel Rajão relatou que por força de decreto publicado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) após a tragédia de Brumadinho, a Mosaic tem que enviar os dados de monitoramento de suas barragens diariamente. Anteriormente, esses dados eram enviados de 15 em 15 dias.

Os representantes da Mosaic falaram sobre a gestão de segurança das barragens da empresa. Segundo eles, são feitas inspeções de campo e monitoramento regulares, além da realização de manutenção e melhorias nas barragens. Duas vezes por ano, em março e setembro, são realizadas auditorias externas. Os relatórios dos auditores externos são encaminhados para a AMN. De acordo com a empresa, a declaração de estabilidade de suas barragens está em dia e todas as estruturas passaram por uma reavaliação após o ocorrido em Brumadinho.

A Mosaic apresentou aos vereadores o seu Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM). Uma equipe da Mosaic está visitando as áreas rurais existentes ao redor da empresa para tirar dúvidas dos moradores. A empresa vai organizar visitas para que a comunidade araxaense conheça as suas barragens. Além disso, os moradores de propriedades rurais que podem ser afetadas em caso de rompimento das barragens da Mosaic passarão por treinamento em maio e receberão informações de como devem agir em situação de emergência. Depois a empresa realizará um simulado com eles em junho. Nove torres com sirenes de alerta já foram instaladas na zona rural.

Os gestores apresentaram ainda aos vereadores, por onde os rejeitos passariam em caso de rompimento de alguma de suas barragens. O fluxo de rejeitos e de água das barragens da área industrial seguiria pela zona rural até atingir o Rio Capivara. Como Araxá está localizada em uma parte mais alta que a Mosaic, o fluxo não atingirá a zona urbana. Já o fluxo das três barragens de água localizadas no Barreiro também seguiria pela zona rural até o Córrego do Sal. Esse fluxo seguiria pelo leito do córrego e não atingiria o bairro Boa Vista.

A empresa informou que não existem residências nas áreas rurais onde o fluxo de água ou rejeitos seguiria em caso de rompimento. O fluxo atingiria propriedades rurais, o que causaria danos ambientais e prejuízos materiais. A área industrial da unidade da Mosaic em Araxá não seria atingida em caso de rompimento de qualquer uma de suas barragens.

Os representantes da Mosaic também falaram sobre a unidade da empresa em Tapira, onde trabalham muitos araxaenses. Eles explicaram que existem seis barragens naquela unidade, sendo que em caso de rompimento, o fluxo delas não atingiria a zona urbana de Tapira e nem a área industrial da empresa.

Na próxima reunião ordinária da Câmara Municipal, que será realizada na terça-feira, 19 de fevereiro, os vereadores Robson, Raphael e Fernanda irão apresentar o relatório das visitas realizadas na Mosaic e na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) para repassar à população as informações levantadas sobre as barragens.

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