Instinto de sobrevivência

Instinto de sobrevivência

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Na aridez do solo descampado da savana africana a imponente girafa encontra-se à mercê dos perigos da selva. O leão, sua principal ameaça, vagueava à caça. Um eventual encontro com a fera não poderia ser diferente senão o fim daquele animal vulneravelmente desprotegido. Não muito longe dali, a poucos metros, um pequeno arvoredo de arbustos secos e destorcidos indicava o refúgio perfeito para a girafa, que, de boba, não tinha nada. Tão logo se adentrara, passaria despercebida pelo leão. Disfarçar-se-ia em meio ao amarelo pálido da vegetação ressecada.

O predador supremo da selva africana aproximara e farejara. Em vão, já que nada via. Ainda que o cheiro nítido da presa embeberava-lhe o faro, a girafa estava fora do campo de visão. Fora de seu alcance. O instinto de sobrevivência salvara o animal.

Do outro lado do Oceano Atlântico, em Brasília, outro animal — desta vez um molusco — validava-se do mesmo impulso natural. Sob a manta do Estado, disfarçar-se-ia no Planalto Central. Tão logo se adentrara, escaparia do alcance do foro comum da Justiça.

Sabe-se que os animais não pensam. Mas são movidos único e exclusivamente pelo ímpeto natural. O instinto de sobrevivência, ao menos por ora, salvara o animal.

Por Guilherme Scarpellini

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