O que o Big Brother Brasil 16 e a crise moral brasileira têm em comum?

O que o Big Brother Brasil 16 e a crise moral brasileira têm em comum?

Pode destorcer o nariz… Guarde suas pedras! Preciso, urgente, escrever sobre o Big Brother Brasil (BBB) 16 nesta semana e a minha vontade é que você, meu caro e fiel leitor, acompanhe esta coluna até o final e faça uma reflexão sobre o tema. Não vou falar aqui especificamente do que rola “na casa mais vigiada do país”, mas quero contextualizar uma personagem do programa, com a crise moral que nós, brasileiros, vivemos na atualidade.

Eu assisto BBB! Espero que aqueles que repudiam o programa, não me julguem por isto, mas se julgarem, sei que mereço a condenação. Porém, uma participante em especial tem chamado a atenção. Falo da “jornalista” por formação e não por prática, Ana Paula, de 34 anos, que não trabalha e vive à custa do dinheiro do pai. E o que ela tem a ver com a crise moral brasileira? Ela nada! Mas seus súditos aqui de fora, têm me preocupado muito.

Para quem não assiste, vou fazer um breve comentário sobre o gênio da moça. Ela pode até não ser assim fora do programa, mas lá dentro tem se mostrado uma pessoa arrogante, absoluta de si e que comete a todo tempo calúnia, difamação e injúria contra os demais participantes. Não aceita opiniões contrárias, busca manipular situações e acredita que a sua verdade é absoluta. Grita, ameaça, ofende, humilha e se julga melhor que os demais que ela não considera do seu grupo de aliados. Até aí, tudo bem, cada um é responsável por si e o que ela comete lá dentro e que prejudica os outros, responderá em ações judiciais aqui fora.

Mas o que me preocupa, não é a jogadora, e sim aqueles que a veneram aqui de fora. Que usam a todo o momento o seu jargão “OLHA ELA” e a consideram rainha e um exemplo a ser seguido. E sabe qual é o principal público da Ana Paula? Adolescentes. Isso mesmo! Temos uma juventude que considera uma mulher do alto de sua arrogância, a líder da sua tribo.

É claro que nem todos os adolescentes apoiam a BBB, mas nas redes sociais eles são a maioria dos que defendem os seus atos impensados e inconsequentes. E o que isso tem a ver com a crise moral que o país vive? A permanência dessa moça no programa, após oportunidades de ser eliminada, revela o retrato da nossa atual sociedade. Estamos perdendo a essência do que é aceitável e do que é absolutamente desprezível. Estamos perdendo a luta para o status social, para quem grita mais alto, para pessoas mimadas que não tiveram limites na infância e vivem como adultos inconsequentes e que querem, por bem ou por mal, que suas vontades sejam ouvidas e atendidas.

São esses mesmos jovens, que consideram esse perfil como líder, que vão às urnas em outubro deste ano. São esses mesmos jovens que um dia serão líderes em empresas, chefes de família, governantes de um povo que tem se calado vendo o errado progredir. E por que nos calamos? Por que tantas “Anas Paulas” ainda insistem em nos incomodar? Porque perdemos a vontade de debater, de argumentar, de sobrepor a arrogância com argumentos que de fato façam esse perfil aceitar que há diferenças e que elas precisam ser respeitadas.

Não que essa moça seja má, mas para essa situação não me vem frase mais adequada: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” (Martin Luther King). A vida não se resume a um BBB, que é um recorte mal feito da realidade, mas analisar o ser humano enclausurado e ver suas reações às adversidades do dia a dia ajudam a entender como chegamos ao ponto de ter que engolir pessoas sem limites. Ver nossa juventude venerando essa moça, me faz pensar que nossos jovens estão sem opções de heróis!

Por Aline Rezende

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