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Bombeiros comemoram 20 anos da chegada das mulheres à corporação

Bombeiros comemoram 20 anos da chegada das mulheres à corporação

 

Divulgação/CBMMG
“A presença feminina cumprindo a missão de salvar vidas”. Esse é o slogan das comemorações do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), em sintonia com os 20 anos da entrada da mulher na instituição, celebrados neste domingo, dia 1º de dezembro. 
 
A conquista começou com a Lei 11.099 de 18 de maio de 1993, que resultou na criação do Corpo Feminino. Mais adiante, no último mês daquele ano, a consolidação: a oferta do primeiro curso de formação de mulheres soldados para o CBMMG. Assim, um ambiente tradicionalmente masculino se transformou em um local de maior diversidade e passou a contar também com a competência e o profissionalismo delas.
 
Da classe pioneira, conhecida como turma 113, vieram as 67 primeiras mulheres soldados a ingressar no Corpo de Bombeiros. Hoje, 54 delas continuam em serviço. A sargento Elizabeth Daros, por exemplo, estava no curso iniciado em 1993. No seu caso, este é um objetivo que a acompanhava desde a adolescência. “Sempre admirei esta profissão e tive vontade de servir na força militar. Fazer parte do Corpo de Bombeiros representa muito para mim, é a realização de um sonho”, enfatiza.
 
A capitão Daniela Lessa também fez parte dessa história. Atualmente, ela é a oficial de maior posto hierárquico do Corpo de Bombeiros. Sua entrada no CBMMG, no entanto, se deu por acaso. “Ainda criança, tinha um carrinho de bombeiros, brincava, mas isto não era parte da realidade da mulher”, conta. Com a oportunidade de participar do curso, tudo mudou e Daniela descobriu um caminho profissional do qual “não abre mão” atualmente. 
 
Juntas, Daniela e Elizabeth, protagonistas dessa história, enfrentaram resistências, desconfianças e mesmo restrições como alojamentos inadaptados, fardamento e equipamentos de segurança não ajustados para as características da mulher. Pontos que, gradativamente, foram superados até que a organização do trabalho considerasse as habilidades e características de cada gênero. 
 
“Hoje, não há nenhuma atividade que não possa ser realizada por uma mulher”, aponta Daniela, que, nesse processo, também se tornou a primeira representante do gênero com formação de piloto de helicóptero.  “Acho que esse avanço mostra para o mundo feminino que realmente há espaço para nós em todo lugar. A mulher está indo com vontade e vem mostrando que é capaz”, reforça a sargento Elizabeth Daros.
 
Em todos os campos
 
Foi durante o segundo grau, em época de vestibular, que a hoje capitão Karla Lessa descobriu o curso de formação de oficiais. Mesmo aprovada em outro processo seletivo, optou pelo Corpo de Bombeiros, onde ingressou em 2001. Ao longo das aulas, conheceu mais sobre a profissão e tomou gosto pelo ofício, que já exerce há 13 anos. 
 
A exemplo da capitão Daniela Lopes, Karla partiu para o desafio nos céus. É, atualmente, a única mulher na equipe do Batalhão de Operações Aéreas, com atendimento a ocorrências diversas em atuação como copiloto do helicóptero “Arcanjo” (codinome da máquina). “Com a aeronave, prestamos atendimentos pré-hospitalares, ações de prevenção e combate a incêndio, transporte de brigadistas, entre outras operações”, explica. 
 
Além do espaço aéreo, as bombeiras também já estão nas ruas e rodovias. A sargento Lucilene Marinho, de Governador Valadares, por exemplo, está na corporação há quatro anos e é a única mulher integrante do serviço de Moto Resgate do Corpo de Bombeiros. A oficial enfrenta cenários adversos, como acidentes fatais, tombamentos de veículos e resgates. Tarefas em condições complexas que enfrenta com muita disposição. “Não consigo me ver fazendo outra coisa”, revela. 
 
Em sua atividade, Lucilene descreve as manifestações de gratidão das pessoas nas ruas. “É muito bom obter o reconhecimento da população atendida, receber os agradecimentos”, aponta.  
 
Mulheres na corporação
 
De acordo com o chefe do Estado-Maior do CBMMG, coronel Ivan Gamaliel, o aumento da representatividade das mulheres é uma tendência em todas as organizações. “Já está provado que a mulher, como bombeiro, exerce, em várias situações, as mesmas funções que os bombeiros masculinos em salvamentos e socorros, ou seja, situações que provocam maior desgaste e estresse físico e mental ao militar”, observa. 
 
Para o coronel, essa comprovação também vem contribuindo para quebrar um antigo paradigma de que elas não teriam força ou destreza suficientes, o que motivava o direcionamento das militares para trabalhos majoritariamente de apoio e administrativos.  “Hoje, a realidade é que elas respondem da mesma forma e compõem guarnições no serviço operacional. Também no atendimento pré-hospitalar, a presença feminina é diferenciada. A mulher bombeiro militar tem peculiaridades que tornam o atendimento às vítimas mais humanizado, uma característica importante em algumas situações”, sinaliza.
 
Confira, neste link, a programação especial do CBMMG em sintonia com os 20 anos do ingresso das mulheres à corporação. 

Agência Minas 

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