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Dez perguntas para Antônio Leonardo

Dez perguntas para Antônio Leonardo

Após oito anos à frente da Prefeitura de Araxá, Antônio Leonardo Lemos Oliveira se prepara para despedir do cargo político. Nesta entrevista, ele fala sobre a vida pessoal, avalia os dois mandatos, citas as principais conquistas, rebate críticas e deixa claro que tem pretensões políticas que vão além do município.

Como é o Antônio Leonardo fora da prefeitura?

É o oposto. Aqui nós temos uma obrigação institucional de estar presente em todos os locais ao mesmo tempo, se possível. Como cidadão, eu sou uma pessoa extremamente pacata. Para mim o melhor lugar que existe é minha casa, gosto de fazer caminhada, assistir filme e ler um bom livro. É bom ser assim porque acabando o mandato não vai haver nenhuma alteração na minha questão de natureza pessoal.

Como o senhor avalia os oito anos de mandato?

Avalio de maneira positiva. Não só pela agenda de resultados que nós temos para poder mostrar, mas porque eu senti como cidadão que essa oportunidade de ser prefeito de Araxá foi extremamente vitoriosa. Mais do que as obras físicas que são importantes para a cidade, acredito que a maior obra que nós fizemos foi levantar o astral de Araxá e inseri-la no contexto regional, estadual e nacional como uma cidade importante.

Se pudesse voltar ao primeiro mandato, faria algo diferente?

Gostaria de fazer o que eventualmente não deu tempo de fazer, não posso reclamar de forma alguma. O que nós fizemos superou até a minha expectativa, mas é natural a qualquer administrador público querer fazer algo além. Como a cidade é uma obra que não pára nunca, sempre existe uma demanda localizada para a gente poder trabalhar e enfrentar. Faria o que surgiu de um tempo para cá e não deu tempo de realizar.

Quais foram as suas principais conquistas?

Podemos citar obras urbanas como as avenidas de interligação viárias em complemento ao que já havia sido feito. Obras estruturais, a construção do novo presídio, a derrubada do mercado, o Complexo Viário Oeste. Do ponto de vista social, Centro de Atendimento à Criança e Centro de Atendimento à Mulher e, na questão econômica, o nosso ICMS está entre os 15 maiores do Estado, quando assumimos a prefeitura era o 28º. Saímos de uma arrecadação anual de R$ 13 milhões para R$ 45 milhões neste ano.  Na educação somos referência nacional e não perdemos para nenhuma entidade particular. Temos internet banda larga, prédios reformados, merenda de qualidade e professores qualificados.

Quais foram os seus erros?

Em determinados momentos, por mais que você esteja rodeado por secretários e colaboradores, você fica com a responsabilidade de decidir sozinho em muitos momentos. Não te diria que houve erros, acredito que a parte administrativa interna da prefeitura precisa avançar mais porque as demandas estão crescendo a cada dia. Notamos que o espaço físico é limitador, acredito que o Centro Administrativo seja uma meta a ser priorizada pelo próximo governante, até mesmo, para otimizar os serviços internos em relação ao atendimento à população.

Como o senhor conseguiu um relacionamento tão estreito com a Câmara Municipal?

A primeira coisa é a origem do processo. Quando nós nos lançamos candidato a prefeito, montamos uma chapa de vereadores que concorreram conosco. No primeiro mandato eu entrei na Câmara com desvantagem, eu tinha seis comigo e nove de oposição, no segundo mandato fizemos as dez cadeiras (o número de vereadores foi reduzido). O quê muda com isso? Nada! O que precisa é respeito entre os poderes. Nunca fui à Câmara Municipal em nenhuma reunião pedir apoio a este ou aquele projeto. Fizemos reuniões previas devido à dúvida dos vereadores sobre determinados projetos. A Câmara tem vida própria e deve cumprir seu dever de criar leis e fiscalizar o Executivo. As cidades onde existe confronto entre os poderes pagam um preço muito alto.

Como o senhor avalia as declarações de que a prefeitura, no seu mandato, foi um “cabide de empregos”?

Talvez elas foram dadas num momento de extrema emoção e, ao mesmo tempo, de desconhecimento de causa. Temos números que demonstram isso, Araxá hoje é uma cidade muito maior demograficamente e populacional em relação há dez anos. Trabalhamos com uma equipe extremamente enxuta, quando assumi a prefeitura haviam 15 secretarias municipais, trabalhei durante oito anos com oito secretários, mudando, às vezes, alguma nomenclatura de secretaria.

São informações errôneas, alimentadas pela emoção do processo eleitoral, mas estou tranqüilo porque é um assunto que eu debato publicamente a qualquer momento com quem tiver interesse. A prefeitura é um livro aberto, tanto que a equipe de transição do prefeito eleito realizou seu trabalho durante um mês, com todas as informações prestadas e, no dia 7 de outubro, todos os relatórios de todas as secretarias estavam nas mãos do prefeito eleito.

Prefiro desprezar essas colocações que partiram de pessoas que não têm conhecimento nenhum e crédito para comentar o que comentaram.

Por que a sua aceitação não foi transferida ao seu candidato?

A transferência de votos é sintomática. Encontrei durante o processo eleitoral, inúmeras pessoas que disseram que aprovavam o nosso mandato, mas que o candidato delas seria outro. Não existe voto de cabresto, nem o prefeito determinar e a população acompanhar. Está comprovado que a transferência de voto é difícil de ser realizada. Foi uma eleição dividida, daí a responsabilidade maior de procurar convergir politicamente a cidade no mesmo rumo para que não haja nenhuma dificuldade de governabilidade.

Qual a sua expectativa em relação ao próximo governo?

Torço para que dê certo. Estou à disposição como voluntário para ajudar no que for preciso, disse isso a ele (Jeová Moreira) e ao vice-prefeito (Miguel Jr.). O governo se faz numa construção diária, depende muito do gestor municipal. Passa pelo relacionamento com a Câmara, com os órgãos de imprensa, pelas associações de bairro e das entidades de classe.

Quais são os seus planos políticos? Pretende se candidatar a deputado ou fazer parte da equipe de Aécio Neves?

Do ponto de vista político, quem passa por uma prefeitura durante oito anos, de certa forma tem um trabalho realizado e pode surtir algum efeito político a médio prazo. Tenho que estar preparado para isso. Não cometeria a hipocrisia de dizer que não tenho pretensões políticas. Mas vai depender do momento, ambiente e condições políticas em nível de região. Não vou me aventurar como muitos fizeram ao longo do tempo. Araxá precisa ter o senso de responsabilidade para buscar seus representantes nas esferas de governo. Isso faz falta! Vou estar à disposição da minha cidade e analisar a conveniência política do momento.

No dia 2 de janeiro estarei retomando minhas atividades profissionais, retomando meu convívio familiar, que durante oito anos eu tive que abdicar, e abdiquei ciente disso, para que eu possa ter minha vida de cidadão normal retomada e isso não tem preço.

Confira a mensagem de Antônio Leonardo

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