Paralisação de pediatras é tema principal de debate na reunião da Câmara

Paralisação de pediatras é tema principal de debate na reunião da Câmara

Reunião ordinária desta terça (9) - Foto: Jorge Mourão

Da Redação/Jorge Mourão – A paralisação dos pediatras da Santa Casa, que não recebem o pagamento de plantões há três meses, foi o principal assunto debatido na reunião ordinária da Câmara Municipal de Araxá, nesta terça-feira (8). E o que não faltou foi o embate entre vereadores da base governista e de oposição que ora criticavam a administração do hospital pela paralisação, ora jogavam a culpa para a prefeitura.

Durante aparte ao pronunciamento de José Domingos Vaz (PDT), o vereador Pezão (PMDB) disse que culpar ambos os lados não resolveria o caso, mas que a cidade não pode passar por uma situação de paralisação de profissionais da saúde. “É um absurdo isso tido qe está acontecendo.”

Pelo lado do governo, o vice-líder Garrado (PR) disse que a responsabilidade da prefeitura é com a gestão do Pronto Atendimento Municipal (PAM), que fica anexo à Santa Casa. “Quero frisar que a responsabilidade do município é com o PAM. O município tem que pagar, e pagar bem, os médicos do PAM, e isso está acontecendo. Se a Santa Casa está atrasada com seus médicos, é problema da administração dela”, afirma.

Além disso, o vereador criticou que a Santa Casa está sobrecarregada com atendimento de pacientes de cidades vizinhas e somente a prefeitura de Araxá direciona verbas para o hospital.

“Essas cidades vizinhas encaminham esses pacientes via SUS Fácil, e são diversos municípios. Por que esses prefeitos não mandam verbas para a Santa Casa? Por que é só Araxá que tem que manter a Santa Casa? É o mínimo de consciência que eles deveriam ter. Somente o atual governo já repassou R$ 18,5 milhões desde 2009, e está sendo construído o prédio da hemodinâmica e da UTI neonatal, ou seja, tudo investimento da Prefeitura de Araxá”, acrescenta.

Para o vereador, não adianta culpar uma situação de paralisação somente em Araxá. “A população está carente no Brasil inteiro. Em Divinópolis, por exemplo, está faltando e a população está passando dificuldades, um problema que precisamos levar para os níveis estadual e federal. Estamos pagando impostos, mas estamos sendo prejudicados. Saúde é prioridade e precisamos dela”, diz.

Já a vereadora oposicionista Lídia Jordão (PP) afirma que a paralisação dos pediatras é tão preocupante quanto à promessa de paralisação outros médicos especialistas.

“O provedor nos informou que está angariando recursos para resolver a questão dos pediatras, mas ainda está preocupado com a possibilidade de os demais médicos paralisarem no dia 17. E a Superintendência Regional de Saúde está na cidade justamente para levar uma solução (um relatório deve se apresentado ainda esta semana)”, diz.

Para ela, todos são responsáveis pela situação. “O hospital, a prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde, que é gestora e deve fiscalizar os serviços de saúde no município, são responsáveis. A Câmara votou os convênios entre o Executivo e o Legislativo e quer que isso funcione, o nosso papel é buscar alternativas. Estamos à disposição das entidades que estão sofrendo esse processo de falta de recursos, mas entendemos que o Estado e o município podem credenciar os serviços que eles entendem que são necessários ao atendimento da população”, afirma

“A Santa Casa, como entidade filantrópica, pode credenciar da mesma forma que um hospital particular também ou outra entidade podem. Se não existe possibilidade de atendimento, que se busque um hospital particular ou outras entidades filantrópicas para solucionar o problema, o que não pode é a população ficar a mercê de uma situação de falta de atendimento”, acrescenta.

Além disso, a vereadora contestou as informações sobre o PAM passadas pela base do prefeito Jeová Moreira da Costa.

“O PAM é a porta de entrada, também está com dificuldades profundas de atendimento. Mesmo com a informação da base governista de que os pagamentos estão em dia, não é isso que chega a nós. Ficamos preocupados, não só com isso, como também com a situação calamitosa de dengue que está na cidade. Jamais a cidade passou por constrangimento dessa natureza. Queremos uma solução imediata. No início do governo, a Santa Casa passou a ser responsabilidade da prefeitura, isso foi assumido publicamente nos jornais, então nada mais importante que ela não fique jogando somente a responsabilidade para a instituição, e sim que também assuma o seu papel de gestora.”

Por telefone, a secretária municipal de Saúde, Patrícia Auxiliadora da Silva, informou ao Diário de Araxá que alguns pediatras já retomaram suas atividades na Santa Casa, e aguarda relatório que está sendo elaborado pela Superintendência Regional de Saúde em busca de uma solução.

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