Inca prevê mais de 46 mil novos casos de câncer em Minas

Inca prevê mais de 46 mil novos casos de câncer em Minas

Minas Gerais deve apresentar, no próximo ano, 46.630 novos casos de câncer, de acordo com a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Serão 23.790 registros em mulheres e 22.840 em homens. Os números foram divulgados nesta terça-feira (23) durante o 1º Fórum Integrado Estadual de Prevenção e Controle do Câncer e seus Fatores de Risco, promovido pela Secretaria de Estado de Saúde.

O evento, que termina nesta quarta-feira (24), reúne gestores estaduais e municipais, além de representantes de hospitais especializados no tratamento da doença e de conselhos regionais de saúde e de classe.

“Sem dúvida, o maior desafio que temos hoje em relação ao câncer é integrar todas as áreas de atenção à saúde, visando o combate da doença. Nesse sentido, encontros como estes são importantes, pois permitem aos gestores das diversas esferas de governo uma troca de ideias e experiências, possibilitando-nos traçar estratégias e planos de ação para o controle da doença”, destaca o secretário Antônio Jorge de Souza Marques (foto).

De acordo com o secretário, em Minas Gerais, desde o início de 2003, determinou-se que nenhum paciente com câncer ficaria sem tratamento. Segundo ele, essa determinação tem sido seguida com muita seriedade, graças à disponibilização de financiamento para pagamento extrateto em oncologia, por meio do qual o Estado repassa recursos aos municípios que gastaram mais do que estava previsto para o tratamento da doença.

Mapeamento

Durante o evento, também foram divulgados os tipos de cânceres mais preocupantes por macrorregião. Com esse mapeamento, o gestor poderá planejar a rede de atenção voltada para um conjunto de ações educativas e de prevenção dos fatores de risco (tabagismo, consumo de bebidas alcoolicas, alimentação não saudável, sedentarismo, obesidade e outros) associados aos exames clínicos e de diagnóstico aos grupos de risco dos cânceres prioritários. Possibilitará também realizar, no futuro, uma avaliação de resultados, com o impacto das medidas adotadas.

“É por meio do mapeamento realizado pela Vigilância do Câncer que podemos estabelecer que tipos de exames preventivos precisam ser realizados em cada região. Nossa intenção é promover a detecção precoce do câncer ainda na atenção primária. Além disso, queremos promover o controle dos fatores de risco para que seja possível evitar a doença”, afirma a subsecretária de Vigilância em Saúde, Gisele Bahia.

Segundo o mapeamento, entre as mulheres, o câncer de mama deverá ter o maior número de registros. São esperados 4.250 casos, com um risco estimado de 41 casos a cada 100 mil mulheres. Em Belo Horizonte, estima-se a ocorrência de 950 casos, com um risco de 70 casos a cada 100 mil mulheres. Os cânceres de colo do útero, de cólon e reto também serão predominantes entre o sexo feminino, em todo o Estado.

Entre o sexo masculino, o câncer de próstata deve prevalecer, com 5.350 casos, tendo um risco estimado de 53 casos a cada 100 mil homens. Em Belo Horizonte, são esperados 880 casos, com um risco estimado de 73 casos a cada 100 mil homens. Além desse tipo, também deve aumentar o número de casos de câncer de traquéia, brônquio, pulmão, e de estômago.

Mortalidade

O câncer foi a segunda causa de morte em Minas Gerais no ano de 2007, sendo responsável por 14,6% do total de óbitos. Foram 15.315 óbitos por neoplasias malignas e 7.098 óbitos (44,55%) por cânceres passíveis de ações preventivas ou de detecção precoce e, portanto, apresentam um considerável potencial de diminuição.

As taxas de mortalidade mostram que os homens apresentam um risco de morrer maior do que as mulheres. Para os homens, o câncer da próstata representou cerca de 14% dos óbitos masculinos, seguido pelo de pulmão. Já entre as mulheres, o câncer de mama foi responsável por aproximadamente 14% dos óbitos, seguido também pelo câncer de pulmão com 8%, assim como nos homens.

Dentre as macrorregiões, a Sudeste apresentou a maior carga de mortalidade dos principais cânceres: em homens e mulheres, predominaram-se casos de câncer de estômago, esôfago, cólon/reto. Já entre os homens, prevaleceu o câncer de próstata e, entre as mulheres, o de mama.

Nas demais macrorregiões, as mais elevadas taxas de mortalidade foram Triângulo do Sul (câncer de pulmão, homens e mulheres); Triângulo do Norte (cólo do útero); Sul (leucemia em homens) e Oeste (leucemia em mulheres).

A mortalidade por câncer da boca a partir do ano 2000 quase dobrou nos homens, destacando-se nas macrorregiões Sudeste, Jequitinhonha e Nordeste. Enquanto a mortalidade por câncer de fígado destaca-se nas macrorregiões centro-sul e leste (homens e mulheres), leste do sul (homens) e nordeste (mulheres).

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