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FÁBIO TERRA: As escolas precisam voltar, mas não no auge da pandemia

FÁBIO TERRA: As escolas precisam voltar, mas não no auge da pandemia

Fábio Terra – Seguindo o plano do governo de Minas, a prefeitura de Araxá autorizou o retorno às aulas das escolas particulares em 8 de março, e em 15 de março as escolas públicas. O retorno das aulas precisa sim ser pensado, planejado, e realizado. Porém, de forma nenhuma o retorno deve ocorrer nestas próximas três semanas, pois a pandemia está em seu pior momento desde que começou, em março de 2020.

O óbvio: a volta às aulas traz às crianças e adolescentes o importante retorno à socialização e ao aprendizado com estrutura, além dos benefícios à saúde mental delas. Ajuda igualmente diversos pais e familiares que precisaram mudar sua rotina de trabalho para cuidar dos filhos em casa. Ainda auxilia na alimentação das crianças e adolescentes, pois não é incomum que a principal refeição de muitos alunos seja a da escola.

Contudo, outra obviedade: a volta às aulas precisa acompanhar a realidade da pandemia da Covid-19. Infelizmente, longe de ser a situação que todos gostaríamos, a pandemia está em seu pior momento no Brasil e em Araxá. Às 17h do dia 04 de março, Araxá tinha 100% de seus leitos de UTI vinculados ao SUS ocupados. O maior hospital privado da cidade estava lotado.

É preciso reabrir as escolas, mas agora não é o momento. Talvez seja daqui a 20 dias, a depender do quadro da pandemia em Araxá. É melhor se esperarem alguns dias do que se arriscar aumentar a contaminação no exato momento em que ela é a maior de toda pandemia.

Por sinal, a prefeitura municipal de Araxá tem lidado bem com a pandemia. Campanhas educativas, fiscalizações, conversas para a aquisição de vacinas diante da ausência de um plano nacional de vacinação, tudo isso tem sido feito. Mas, Araxá consegue ainda dar mais exemplo: por que não colocar professores das escolas como prioridade na vacinação?

Responder meramente que o protocolo de vacinação estadual ou nacional ainda não incluiu professores é fácil. A resposta boa e certa seria Araxá se antecipar e preparar com segurança o retorno de crianças e adolescentes às escolas, privadas e públicas, o que implica proteger quem lá está para ensinar.

Abertura de escolas com professores não vacinados lhes traz riscos, sobretudo porque professores dão aula em várias séries diferentes e, assim, têm contato com um conjunto grande de alunos todos os dias – conjunto que muda semana sim, semana não, com o rodízio de alunos. Os alunos rodiziam, professores não: risco maior a estes. Não somente: crianças e adolescentes podem carrear para suas casas eventual contaminação vinda da escola.

Que se deixe claro: crianças e adolescentes têm baixíssimo nível de contaminação pela Covid, mas ter baixíssimo nível não significa que eles não se contaminam. Sim, eles podem se contaminar e a chance aumenta justamente por estarmos no pior momento de contaminação de toda a pandemia.

Neste momento pior da Covid em Araxá as escolas não devem reabrir, ainda menos com professores não vacinados. Esperou-se já um ano com alunos fora das escolas, não serão outros 20 dias de espera o problema. Mas, o problema principal, a descontrolada pandemia e a lotação dos leitos de UTI disponíveis na cidade, pode se agravar ainda mais. Não é, enfim, uma questão de o lugar dos alunos e alunas ser ou não na escola: é óbvio que é. É uma questão de quando se deve, com segurança, reocupar este devido lugar.

Fábio Terra é Professor da UFABC e do PPGE-UFU, Presidente da Associação Keynesiana Brasileira, tem pós-doutorado em economia pela Universidade de Cambridge, Reino Unido.

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